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HOMILIA
eSCRITA POR Pe. C.Madrigal, o.s.a.- ciriacomadrigal@gmail.com

DIA 15 DE SETEMBRO DE 2019

Prestando atenção às leituras bíblicas que a Liturgia da Palavra nos apresenta, neste Domingo, podemos dizer que a misericórdia de Deus para conosco tem nelas um destaque todo especial. A intercessão de Moisés consegue afastar o castigo pela idolatria do povo de Israel e Deus o perdoa porque é misericordioso (1ª leitura). Paulo considera que foi pela misericórdia de Deus que recebeu o chamado para ser apóstolo embora não o merecesse pela sua vida passada (2ª leitura). O filho pródigo volta arrependido para a casa paterna, depois de ter esbanjado a sua herança, e é recebido e perdoado por um pai cheio de misericórdia (evangelho) que, não contente com isso, ainda faz uma grande festa por tê-lo de volta com vida.

Este ano temos um motivo especial para meditar os relatos da ovelha e da moeda perdidas, além daquele do Pai misericordioso, porque nos encontramos neste Ano que, por desejo expresso do papa Francisco, está dedicado justamente a redescobrir o valor da Misericórdia e a viver como pessoas "misericordiosas" com maior intensidade.

1ª LEITURA: Êxodo 32, 7-11. 13-14

7 Javé disse a Moisés: «Vá! Desça, porque seu povo, que você tirou do Egito, se perverteu. 8 Desviaram-se logo do caminho que eu lhes havia ordenado. Fizeram para si um bezerro de metal fundido, e o adoraram, oferecendo a ele sacrifícios e dizendo: 'Israel, este é o seu deus que tirou você do Egito'.» 9 E Javé continuou: «Vejo que esse povo é um povo de cabeça dura. 10 Agora, portanto, deixe-me, porque minha ira vai se acender contra eles, até consumi-los. E de você, eu farei uma grande nação».11 Então Moisés suplicou a Javé, seu Deus, dizendo: «Javé, por que a tua ira se acende contra o teu povo, que tiraste do Egito com grande poder e mão forte? ….............. 13 Lembra-te dos teus servos Abraão, Isaac e Israel, aos quais juraste por ti mesmo, dizendo: 'Eu multiplicarei a descendência de vocês como as estrelas do céu, e toda a terra que lhes prometi, eu a darei aos filhos de vocês, para que a possuam para sempre' .» 14 Então Javé se arrependeu do castigo com o qual havia ameaçado o seu povo.

Enquanto Moisés estava no alto no monte Sinai recebendo a Lei de Deus, o povo de Israel cansou-se de esperar e fez um bezerro de ouro para adorá-lo como um ídolo, no lugar de Deus. Diante desta infidelidade, Deus quer abandonar o seu projeto de salvação e escolher outro povo que lhe seja fiel. Moisés, porém, implora a misericórdia divina apelando para o cumprimento da promessa que Ele fez a Abraão, e Deus “se arrependeu do castigo com o qual havia ameaçado o seu povo”. Esta forma de falar de Deus, como se fosse um homem, tem como objetivo mostrar que, embora o povo merecesse ser castigado pela justiça divina, ela está sempre envolvida pelo amor misericordioso do Pai e, como se Deus voltasse atrás no seu primeiro impulso, o povo infiel é perdoado.

Não há como imaginar o “bezerro de ouro” que Israel adorou no deserto sem perceber a semelhança que ele tem com aquela famosa estatua situada no centro financeiro de Nova York, o famoso “bezerro de Wall Street”. O dois bezerros são de ouro: um por ser feito desse metal precioso e o outro pela proximidade da Bolsa de Valores onde se negocia  o dinheiro que move o mundo. Alguém duvida de que este último é o verdadeiro ídolo moderno, adorado hoje no mundo inteiro em lugar do próprio Deus?


2ª LEITURA: 1Timóteo 1, 12-17

12 Agradeço àquele que me deu força, a Jesus Cristo nosso Senhor, que me considerou digno de confiança, tomando-me para o seu serviço, 13 apesar de eu ter sido um blasfemo, perseguidor e insolente. Mas eu obtive misericórdia porque eu agia sem saber, longe da fé. 14 Sim, ele me concedeu com maior abundância a sua graça, junto com a fé e o amor que estão em Jesus Cristo.15 Esta palavra é segura e digna de ser acolhida por todos: Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro. 16 Mas exatamente por causa disto eu obtive misericórdia: Jesus Cristo quis demonstrar toda a sua generosidade primeiramente em mim, como exemplo para os que depois iriam acreditar nele, a fim de terem a vida eterna.17 Ao rei dos séculos, ao Deus incorruptível, invisível e único, honra e glória para sempre. Amém!

Paulo dá graças a Deus por ter experimentado em si mesmo a sua compaixão e o seu perdão. Ele se apresenta como exemplo vivo da Misericórdia divina, pois, de “blasfemo, perseguidor e insolente”, ele “obteve misericórdia” e foi “considerado digno de confiança” de tal forma que se lhe confiou o ministério de anunciar o Evangelho aos pagãos, que nunca tinham pertencido a uma comunidade de fé nem judaica, nem cristã. Está consciente de que era a eles que devia anunciar o Evangelho.

Com isto, ele quer dizer que, para Deus, o passado é passado. Seu projeto se dirige ao futuro. Paulo experimentou em sua própria pessoa esta realidade. Não é questão de voltar-se sobre o seu passado de perseguidor, mas sobre o seu presente e futuro de embaixador e missionário da misericórdia de Deus, manifestada em sua pessoa e revelada em Cristo Jesus.  

Por isso mesmo, não podemos ficar fechados em nós mesmos; temos que sair à procura daqueles que nunca ouviram a mensagem do Senhor para convidá-los à festa da comunhão na comunidade dos filhos de Deus. O Povo de Deus não é formado por pessoas que nunca erraram, mas por pecadores que se converteram e sabem que serão salvos por pura graça e misericórdia de Deus.

De fato, conclui Paulo, Deus enviou seu Filho ao mundo, não para condena-lo, mas para salvá-lo. Assim como aconteceu com ele, acontecerá com todos aqueles que acreditarem em Jesus, pois a salvação é um ato de graça da parte de Deus Pai.


EVANGELHO: Lucas 15, 1-32

1 Todos os cobradores de impostos e pecadores se aproximavam de Jesus para o escutar. 2 Mas os fariseus e os doutores da Lei criticavam a Jesus, dizendo: «Esse homem acolhe pecadores, e come com eles!» 3 Então Jesus contou-lhes esta parábola: 4 «Se um de vocês tem cem ovelhas e perde uma, será que não deixa as noventa e nove no campo para ir atrás da ovelha que se perdeu, até encontrá-la? 5 E quando a encontra, com muita alegria a coloca nos ombros. 6 Chegando em casa, reúne amigos e vizinhos, para dizer: 'Alegrem-se comigo! Eu encontrei a minha ovelha que estava perdida'. 7 E eu lhes declaro: assim, haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão.» 8 «Se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, será que não acende uma lâmpada, varre a casa, e procura cuidadosamente, até encontrar a moeda? 9 Quando a encontra, reúne amigas e vizinhas, para dizer: 'Alegrem-se comigo! Eu encontrei a moeda que tinha perdido'. 10 E eu lhes declaro: os anjos de Deus sentem a mesma alegria por um só pecador que se converte.» 11 Jesus continuou: «Um homem tinha dois filhos. 12 O filho mais novo disse ao pai: 'Pai, me dá a parte da herança que me cabe'. E o pai dividiu os bens entre eles. 13 Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu, e partiu para um lugar distante. E aí esbanjou tudo numa vida desenfreada. 14 Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome nessa região, e ele começou a passar necessidade. 15 Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para a roça, cuidar dos porcos. 16 O rapaz queria matar a fome com a lavagem que os porcos comiam, mas nem isso lhe davam. 17 Então, caindo em si, disse: 'Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome... 18 Vou me levantar, e vou encontrar meu pai, e dizer a ele: - Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19 já não mereço que me chamem teu filho. Trata-me como um dos teus empregados'. 20 Então se levantou, e foi ao encontro do pai. Quando ainda estava longe, o pai o avistou, e teve compaixão. Saiu correndo, o abraçou, e o cobriu de beijos. 21 Então o filho disse: 'Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço que me chamem teu filho'. 22 Mas o pai disse aos empregados: 'Depressa, tragam a melhor túnica para vestir meu filho. E coloquem um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23 Peguem o novilho gordo e o matem. Vamos fazer um banquete. 24 Porque este meu filho estava morto, e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado'. E começaram a festa. 25 O filho mais velho estava na roça. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26 Então chamou um dos criados, e perguntou o que estava acontecendo. 27 O criado respondeu: 'É seu irmão que voltou. E seu pai, porque o recuperou são e salvo, matou o novilho gordo'. 28 Então, o irmão ficou com raiva, e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29 Mas ele respondeu ao pai: 'Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua; e nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30 Quando chegou esse teu filho, que devorou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho gordo!' 31 Então o pai lhe disse: 'Filho, você está sempre comigo, e tudo o que é meu é seu. 32 Mas, era preciso festejar e nos alegrar, porque esse seu irmão estava morto, e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado'.»

O capítulo 15 de Lucas, é uma bela revelação sobre o modo de Deus com os pecadores (respeita, perdoa, acolhe, festeja sua volta e os integra na sua família).

Contêm três parábolas muito ricas em conteúdo. O clima está marcado pelos dois primeiros versículos («Todos os cobradores de impostos e pecadores se aproximavam de Jesus para o escutar. Mas os fariseus e os doutores da Lei criticavam a Jesus, dizendo: «Esse homem acolhe pecadores, e come com eles!»). Jesus pronunciou estas parábolas, justamente para “os fariseus e os doutores da Lei”, revelando a misericórdia e a compaixão de Deus como o Evangelho da Misericórdia.

Deus é como o pastor que, por causa de uma ovelha apenas, deixa o rebanho todo «no campo para ir atrás da ovelha que se perdeu, até encontrá-la» (... que pastor faria essa loucura de deixar o rebanho sozinho só por uma ovelha?) ou como a mulher que revira a casa toda até encontrar a moeda perdida (vale a pena esse trabalho todo por uma moeda apenas?); ou como o pai que não só «teve compaixão” do filho que o abandonara, mas que, «quando ainda estava longe”, saiu ao seu encontro e foi logo abraçá-lo, sem esperar que lhe pedisse (onde se viu uma coisa dessa?). – De fato, o Evangelho de Lucas mostra-nos um Deus faz loucuras por amor a nós!.

As três parábolas apresentam-nos um Deus compassivo e misericordioso a tal ponto que tudo termina em festa («Alegrem-se comigo! Eu encontrei a minha ovelha que estava perdida”... «encontrei a moeda que tinha perdido”... «Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho... estava perdido, e foi encontrado”). E isso tudo por apenas «um pecador que se converte”. Uma percentagem de pecadores realmente insignificante (são tantos...!), mas Deus ama a cada um pessoalmente. Não trabalha com “percentagens” (ainda bem...!). Para Ele tudo é 100% e repete: «Haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão».

Um amor um tanto exagerado, convenhamos, mas a misericórdia de Deus é assim e aqui está, exatamente, o sentido das três parábolas; o amor de Deus acaba quase eclipsando a sua justiça. Ele é capaz de fazer o que nenhuma pessoa humana faria (ir atrás, custe o que custar, até achar o que se perdeu por mínimo que seja). Realmente, Deus é o oposto dos homens, que só agem através de decisões calculistas. Jesus quer mostrar o contraste entre a atitude de Deus e a atitude hipócrita dos fariseus e doutores da Lei, ao mesmo tempo em que nos questiona sobre as nossas atitudes diante das “ovelhas perdidas” das nossas comunidades e famílias!

Continua sendo necessário hoje proclamar este Evangelho da Misericórdia de Deus, oferecendo um caminho aberto de esperança que pode e deve alcançar o coração de todos os homens, a pesar das situações incompreensíveis e contraditórias nas quais vivemos. Os discípulos de Jesus precisamos olhar o mundo com a mesma visão realista e aberta d’Aquele que pode dar uma resposta capaz de acender a esperança.

Nos Domingos anteriores refletimos sobre as duras condições de Jesus para quem quiser segui-Lo e, no entanto, os que se aproximam d’Ele não são os “bons”, mas «os cobradores de impostos e pecadores”. Justamente os “maus”, os segregados por aquela sociedade, encontram em Jesus uma atitude aberta e acolhedora e vêm a Ele «para o escutar”. A nata da sociedade religiosa hipócrita da época só podia ficar escandalizada («Esse homem acolhe pecadores, e come com eles!»). Nada demais. Não seria muito diferente o que aconteceria hoje se o padre da paróquia tentasse acolher da mesma forma os últimos da sociedade como Jesus fez. Por isso são justamente “os bons” que Jesus quer questionar para dizer-lhes que acreditam num Deus que não conhecem. Acreditam num Deus justo, mas confundem justiça com castigo e vingança. Não compreendem que a justiça divina possa estar envolvida pela misericórdia e que ela possa ser exercida como um ato de amor paternal.

Se 1% dos pecadores se perder, é apenas um entre cem (algo matematicamente, pouco significativo), mas, se esse 1% for o seu filho, será o 100% para você. A novidade de Jesus é esta: cremos num Deus que é nosso Pai. Cada um de nós é 100% para Ele. Por isso acolhe e perdoa sem preconceito algum porque quer que «todos se salvem e tenham vida em abundância”. Se for verdade que todos temos um lugar à sua mesa, sem distinção entre bons e maus, quem somos nós para dizer que não queremos “misturar-nos” com alguém?

Seria muito triste ser como o irmão mais velho do filho pródigo “quase perfeito”, mas triste e azedo, incapaz de amar, acolher e perdoar, negando-se a participar da alegria que Deus tem por alguém que «estava morto, e tornou a viver”, indiferente pelo irmão que voltou, sem apreciar a vida, feita de acertos e erros, na qual contamos com um Pai que permite levantar-nos quando estivermos no chão.

+ A acolhida do pai, além do perdão, significou para o filho pródigo o restabelecimento da sua dignidade pessoal. Da mesma forma, é o amor e a misericórdia do Pai que Jesus quer transmitir «acolhendo os pecadores, e comendo com eles»; uma atitude que, por tabela, questiona profundamente a hipocrisia das pessoas, ditas “religiosas”, cheias de censuras e moralismos para com as pessoas que "erram o caminho", mas carentes do amorgeneroso e incondicional de Deus.

 

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