img

► CADASTRO VOCACIONALimg

HOMILIA
eSCRITA POR Pe. C.Madrigal, o.s.a.- ciriacomadrigal@gmail.com

DIA 21 DE JULHO DE 2019

Podemos dizer que o tema da liturgia deste Domingo é a atitude de acolhida que, quando dispensada de bom coração a alguém, transforma-se em hospitalidade. É assim que Abraão, seguindo o costume semita, acolhe os peregrinos em sua casa com a maior consideração (1ª leitura) e, acolhendo-os, acolhe o próprio Deus que se faz presente neles. Da mesma forma, Marta recebe o Senhor em sua casa e providencia tudo para o conforto d’Ele enquanto Maria dá-lhe o máximo de atenção escutando a sua palavra (evangelho). Paulo, por sua vez, nos anima a acolher o mistério da presença de Deus em nós (2ª leitura), fonte de realização pessoal e estímulo no caminho da perfeição.

1ª LEITURA: Gênesis 18, 1-10a

1 Javé apareceu a Abraão junto ao Carvalho de Mambré, enquanto ele estava sentado à entrada da tenda, pois fazia muito calor. 2 Levantando os olhos, Abraão viu na sua frente três homens de pé. Ao vê-los, correu da entrada da tenda ao encontro deles e se prostrou por terra, 3 dizendo: «Senhor, se alcancei o seu favor, não passe junto ao seu servo sem fazer uma parada. 4 Vou mandar que tragam água para que vocês lavem os pés e descansem debaixo da árvore. 5 Vou trazer um pedaço de pão e vocês poderão recuperar as forças antes de partir; foi para isso que passaram junto ao servo de vocês». Eles responderam: «Está bem. Faça o que está dizendo».6 Abraão entrou correndo na tenda onde estava Sara, e disse a ela: «Depressa! Tome vinte e um litros de flor de farinha, amasse-os e faça um pão grande». 7 Depois Abraão correu até o rebanho, escolheu um vitelo novo e bom, e o entregou ao empregado, que se apressou em prepará-lo. 8 Pegou também coalhada, leite e o vitelo que havia preparado, e colocou tudo diante deles. E os atendia debaixo da árvore enquanto eles comiam. 9 Depois eles perguntaram: «Onde está sua mulher Sara?» Abraão respondeu: «Está na tenda». 10 O hóspede disse: «No próximo ano eu voltarei a você. Então sua mulher já terá um filho».

A atitude de Abraão mostra não só a beleza da hospitalidade nos costumes semitas, mas também manifesta algo que Jesus iria ensinar depois ao dizer que, acolhendo o irmão, estaremos acolhendo a Ele e, portanto, ao próprio Deus.

O que podemos comprovar em nosso texto é que Abraão parece ficar um pouco confuso. Eram «três homens» os que ele viu à sua frente, mas parece falar com apenas um deles quando diz: «Senhor, se alcancei o seu favor, não passe junto ao seu servo sem fazer uma parada»; logo a seguir diz que vai mandar que «tragam água para que vocês lavem os pés» (referindo-se aos três). E, no fim, um deles lhe faz a promessa do filho, mostrando sua condição divina porque Sara é estéril e Abraão já é idoso.

Que confusão é essa? São três ou é um só? Os Santos Padres interpretaram este texto como uma insinuação do mistério da Santíssima Trindade (um só Deus em três pessoas distintas). Deus se manifesta nos três, mas é um só. De fato, Abraão fala com um só Senhor que lhe promete o filho embora sejam três pessoas ao mesmo tempo.

É claro que, recebendo aqueles peregrinos, Abraão acolheu ao próprio Deus. Porém, mais do que “dar”, ele “recebeu”, sim, recebeu muito mais do que pudesse ter esperado («No próximo ano eu voltarei a você. Então sua mulher já terá um filho»). Até mesmo, com as palavras que usamos acolhendo alguém em nossa casa, falamos que “recebemos” uma pessoa. A pessoa do outro é sempre um dom para nós porque, partilhando com alguém a nossa casa, a nossa vida, estamos acolhendo e recebendo o próprio Deus presente em nosso irmão, especialmente naquele que mais precisa de nós, como o enfermo, o incompreendido, o marginalizado....


2ª LEITURA: Colossenses 1, 24-28

24 Agora eu me alegro de sofrer por vocês, pois vou completando em minha carne o que falta nas tribulações de Cristo, a favor do seu corpo, que é a Igreja. 25 Eu me tornei ministro da Igreja, quando Deus me confiou este encargo junto a vocês: anunciar a realização da Palavra de Deus, 26 o mistério escondido desde o começo dos tempos e gerações, e que agora é revelado aos cristãos. 27 Deus quis manifestar aos cristãos a riqueza gloriosa que este mistério representa para os pagãos, isto é, o fato de que Cristo, a glória esperada, está em vocês. 28 E é esse Cristo que anunciamos, aconselhando e ensinando a todos com plena sabedoria, para que todos sejam cristãos perfeitos.

Pelas palavras de Paulo, «eu me alegro de sofrer por vocês», sentimos que ele vê, no sofrimento próprio, a confirmação da a sua comunhão com o  Cristo sofredor e isso é para ele um motivo de alegria. Isto nos leva a compreender que o sofrimento, em si mesmo, pode ser experimentado com desgosto ou pode, até, ser motivo de alegria. Se a gente olhar para o próprio conforto, o sofrimento é sempre ruim, mas se a gente olhar para o bem dos outros, pode ser fonte de satisfação e de realização pessoal.

Paulo sente-se feliz em saber que o seu sofrimento está unido ao sofrimento de Cristo pelo bem dos colossenses que formaram uma nova comunidade e, portanto, passaram a ser “corpo de Cristo”. Sente-se «ministro da Igreja», identificado com Cristo, e não recusa a parte de esforço que lhe cabe na construção da comunidade cristã, anunciando "a realização da Palavra de Deus”, o verdadeiro Evangelho.

Ao dizer «Cristo..., está em vocês», o Apóstolo manifesta a convicção de que a conversão dos colossenses, antes pagãos, faz parte do projeto de Deus no sentido de que os pagãos participem da redenção realizada por Cristo e não somente os judeus. Este é o mistério que deu sentido á vida de Paulo e que abriu a Igreja para todos os povos, tornando-a verdadeiramente “católica” (palavra grega que significa “geral, para todos, universal”).


EVANGELHO: Lucas 10, 38-42

38 Enquanto caminhavam, Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa. 39 Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e ficou escutando a sua palavra. 40 Marta estava ocupada com muitos afazeres. Aproximou-se e falou: «Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda que ela venha ajudar-me!» 41 O Senhor, porém, respondeu: «Marta, Marta! Você se preocupa e anda agitada com muitas coisas; 42 porém, uma só coisa é necessária, Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada.»

No ambiente judaico não estava bem visto que uma mulher autônoma (Marta não aparece como filha ou esposa de alguém) acolhesse um homem na sua casa e, no entanto, Betânia passou a ser símbolo da melhor hospitalidade No caso de Jesus, lá se encontrava com seus amigos para dialogar e estabelecer laços de autêntica amizade.

Na tradição judaica era proibido comunicar os segredos de Deus aos pagãos e às mulheres. Todos eles ficavam excluídos e não podiam tomar parte nas assembléias litúrgicas. Lucas é o evangelista que mais se interessa em mostrar Jesus quebrando a tradição e instruindo também às mulheres.

No evangelho lemos que Maria «sentou-se aos pés do Senhor» assumindo a atitude própria de discípula diante do seu mestre. Maria, com a aprovação de Jesus, rompe essa norma. Jesus concede às mulheres o lugar de discípulas com pleno direito.

Era tanto o seu interesse em ouvir Jesus que até esqueceu as tarefas domésticas. Nada demais que sua irmã, Marta, reclamasse dela («Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda que ela venha ajudar-me!»). Nada mais justo, embora pareça haver uma pontinha de ciúme em suas palavras pelo fato de ela dirigir sua reclamação somente a Jesus e não à sua irmã.

A resposta do Senhor é surpreendente («Marta, Marta! Você se preocupa e anda agitada com muitas coisas; porém, uma só coisa é necessária»). Estaria menosprezando o trabalho de Marta? É claro que não. As “coisas” de Marta eram feitas com muito amor e dedicação para bem hospedar o Senhor. Mas, embora fosse importante receber Jesus, mais importante era ouvi-lo. Jesus repreende Marta com carinho. Não censura seu serviço, mas a sua ansiedade, sua perturbação exterior, seu nervosismo. Em meio aos afazeres por preparar o almoço material, talvez, estava se esquecendo de “receber” Jesus juntamente como o dom de Deus, que é a sua Palavra. Acolher o alimento espiritual que Jesus estava lhes oferecendo em troca de tanta gentileza era “o único necessário” e, sem dúvida, «a melhor parte». Nada justifica perder essa oportunidade. Escutar, acolher, apreciar a novidade da mensagem do Senhor para torna-la vida, é o único necessário, a melhor parte.

Por outro lado, se "Maria escolheu a melhor parte" pode parecer a atitude mais cômoda, mas não é a mais fácil. É mais fácil agitar-se, mesmo que participando de muitas pastorais e “fazendo mil coisas” pelos outros, do que dar um tempo para meditar com calma e, no sossego da oração, tentar “entender a Palavra de Deus”.

Na vida cristã é necessário parar com frequência, encontrar tempo para entrar em comunhão com Deus e saber o que Ele realmente quer de nós. Não vá acontecer que, no fundo, estejamos auto afirmando-nos e servindo-nos a nós mesmos com toda essa atividade enquanto esquecemos de estar «aos pés do Senhor», deixando-nos evangelizar por aqueles que supostamente estamos evangelizando.

Quando acolho alguém de verdade, além de oferecer a minha casa, preciso dar o meu espaço interior, como Maria «aos pés do Senhor». Mais do que o conforto material que possamos oferecer, o mais importante é entrar em sintonia com a pessoa que acolhemos, ou que “recebemos”, colocando-nos à disposição dela para valorizar sua pessoa e seu mundo interior.

A acolhida é algo intimamente ligado à espiritualidade cristã porque amar não é só questão de doação; também é uma forma de acolhimento. São Paulo na carta aos Romanos15,7 escreve: «Acolham-se uns aos outros, como Cristo acolheu vocês».

O acolhimento pode ser a melhor forma de manifestar aquilo que nos distingue como cristãos, que é o amor fraterno. Por tanto, ser acolhedores não é uma opção; é a forma privilegiada que temos de manifestar o nosso ser de discípulos do Senhor que acolheu sempre a todos sem distinção.

Do ponto de vista pastoral isto se traduz na “Pastoral da Acolhida” que a Igreja do Brasil faz tempo está tentando praticar especialmente com aqueles “católicos afastados” que procuram a Igreja quase sempre por tradição, embora movidos, também, por uma certa saudade do sagrado que muitos deles abandonaram em suas vidas.

Em tempos passados era comum observar certa tendência em padres e leigos de recebê-los friamente como que cobrando seu afastamento e enchendo-lhes de normas a cumprir, sem muita explicação, que só servia para afastá-los mais ainda.

É certo que aquela Igreja que eles conheceram no passado mudou e não podem esperar que simplesmente se amolde a seus gostos, interesses e caprichos. Fazer isto seria praticar uma falsa acolhida, desvalorizando a caminhada da Igreja, e tomando uma atitude tipo “comercial” em que o “cliente” sempre tem a razão. Mas nada impede de manifestar, em primeiro lugar, a nossa alegria por estarem voltando e, em segundo lugar, a nossa disposição amiga de “recebê-los”, ouvindo-os com a paciência necessária para adequar suas expectativas ao novo modo ser Igreja que eles certamente desconhecem.

Por tudo isto, é necessário que estes “católicos afastados” se sintam bem recebidos, amados e valorizados. As pessoas não procuram uma boa organização quando voltam para a Igreja, mas apenas ser ouvidas e acolhidas. Um trabalho difícil e delicado de se realizar, mas extremamente necessário se quisermos recuperar esses irmãos nossos que, por não serem acolhidos devidamente em nossas comunidades, são presa fácil de igrejas sem escrúpulos que primeiramente os agradam em tudo para depois tomar posse de sua mente e do seu coração.

+ Com uma sensibilidade nada comum numa sociedade patriarcal, Jesus tem o costume de dar destaque às mulheres, mostrando o seu valor. Entre os discípulos de Jesus, todos participam da vida e do amor fraterno e as mulheres ganham dignidade. Elas escutavam sua mensagem, aprendiam com Ele o seguiam de perto em plano de igualdade com os discípulos varões. A grandeza e a dignidade do ser humano (homem ou mulher), está na capacidade de escutar a mensagem do reino de Deus e dele participar.

 

img

centro de promoÇÃO VOCACIONAL - osa
participem dos encontros vocacionais agostinianos

img
img
img

 

 

 

 

 

 

 

img
© OSA Brasil 2009 | 2019
.:: Todos os Direitos Reservados ::.