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HOMILIA
eSCRITA POR Pe. C.Madrigal, o.s.a.- ciriacomadrigal@gmail.com

DIA 28 DE MAIO DE 2017

Na Ascensão celebramos o triunfo definitivo do Senhor e a sua volta para o seio do Pai, deixando-nos a porta aberta para a pátria definitiva. Não se afastou de nós; foi apenas preparar-nos um lugar, entrando no santuário celeste como sumo sacerdote
(2ª leitura).
A partir desse momento, tudo está pronto para o inicio da missão da Igreja; os discípulos não podem ficar passivos
e alienados, olhando para o céu. Têm de ir ao mundo, continuar o projeto de Jesus (1ª leitura). Para tanto, o Espírito que nos foi dado nos mantém na esperança (evangelho), pois Deus cumpre fielmente a suas promessas.

É bom frisar que a linguagem usada nas leituras desta liturgia é própria da maneira mítica de entender o mundo de acordo com a época em que foram escritas, segundo a qual, o mundo dividia-se em três andares: o superior (lá encima), habitado pela divindade; o do meio (o nosso), a realidade terrena em que vivemos e o terceiro (o abismo), o lugar do maligno. Partindo deste esquema, a encarnação do Senhor só podia ser entendida como a descida do Filho de Deus à terra com a missão de salvar-nos. Realizada esta missão, Jesus devia voltar (subir) para seu lugar de origem. É claro que as palavras “descida” e “subida”, não tem um sentido real, mas apenas alegórico.

1ª Leitura: Atos dos Apóstolos 1, 1-11

1 No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus começou a fazer e ensinar, desde o princípio, 2 até o dia em que foi levado para o céu. Antes disso, ele deu instruções aos apóstolos que escolhera, movido pelo Espírito Santo. 3 Foi aos apóstolos que Jesus, com numerosas provas, se mostrou vivo depois da sua paixão: durante quarenta dias apareceu a eles, e falou-lhes do Reino de Deus. 4 Estando com os apóstolos numa refeição, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não se afastem de Jerusalém. Esperem que se realize a promessa do Pai, da qual vocês ouviram falar: 5 'João batizou com água; vocês, porém, dentro de poucos dias, serão batizados com o Espírito Santo'.» 6 Então, os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: «Senhor, é agora que vais restaurar o Reino para Israel?» 7 Jesus respondeu: «Não cabe a vocês saber os tempos e as datas que o Pai reservou à sua própria autoridade. 8 Mas o Espírito Santo descerá sobre vocês, e dele receberão força para serem as minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os extremos da terra.» 9 Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu à vista deles. E quando uma nuvem o cobriu, eles não puderam vê-lo mais. 10 Os apóstolos continuavam a olhar para o céu, enquanto Jesus ia embora. Mas, de repente, dois homens vestidos de branco 11 apareceram a eles e disseram: «Homens da Galiléia, por que vocês estão aí parados, olhando para o céu? Esse Jesus que foi tirado de vocês e levado para o céu, virá do mesmo modo com que vocês o viram partir para o céu.»

A descrição que Lucas faz da Ascensão do Senhor precisa ser interpretada dentro, através da roupagem dos símbolos, para que a mensagem apareça com toda a sua claridade. Não podemos entender que Jesus, literalmente, descolasse da terra e começasse a elevar-se aos céus; estamos diante da imagem da exaltação total de Jesus, que atinge dimensões sobrenaturais; é a forma simbólica de descrever o sentido teológico de uma vida vivida para Deus, que agora torna a entrar na glória da comunhão com o Pai.

Na verdade, a ressurreição de Jesus, não foi simplesmente “reviver” para voltar à mesma vida que levava antes da morte na cruz. Se Ele “ressuscitou” foi para voltar à sua vida original e retornar ao mistério da vida íntima de Deus, donde Ele veio e donde Ele voltará no fim dos tempos (“Esse Jesus que foi tirado de vocês e levado para o céu, virá do mesmo modo”). Isso, porém, não e motivo para ficarmos passivos (“Homens da Galileia, por que vocês estão aí parados, olhando para o céu?”), mas para animar-nos a assumir a missão que nos foi confiada, pois na medida em que evangelizarmos, estaremos preparando a volta gloriosa do Senhor.

Agora, trata-se de “serem as minhas testemunhas... até os extremos da terra”. Encerra-se o tempo de Jesus, começa o tempo da Igreja. Recebendo o mesmo Espírito que guiou Jesus em toda a sua missão (“o Espírito Santo descerá sobre vocês”), os apóstolos estarão preparados para testemunhar o Senhor, continuando o que Ele começou a fazer e ensinar. Através de nosso testemunho, Jesus Ressuscitado continua presente e atuante dentro da história.


2ª Leitura: Efesios 1, 17-23

17 Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, lhes dê um espírito de sabedoria que lhes revele Deus, e faça que vocês o conheçam profundamente. 18 Que lhes ilumine os olhos da mente, para que compreendam a esperança para a qual ele os chamou; para que entendam como é rica e gloriosa a herança destinada ao seu povo; 19 e compreendam o grandioso poder com que ele age em favor de nós que acreditamos, conforme a sua força poderosa e eficaz. 20 Ele a manifestou em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita no céu, 21 muito acima de qualquer principado, autoridade, poder e soberania, e de qualquer outro nome que se possa nomear, não só no presente, mas também no futuro. 22 De fato, Deus colocou tudo debaixo dos pés de Cristo e o colocou acima de todas as coisas, como Cabeça da Igreja, 23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que plenifica tudo em todas as coisas.

A segunda leitura oferece-nos a ideia da Ascensão como a exaltação total de Cristo. Neste texto, São Paulo não fala explicitamente da Ascensão, mas da glorificação total de Jesus, da sua condição definitiva e total junto com seu Corpo Místico, que é a Igreja, para mostrar que não são coisas diferentes entre si.

Dizer que Cristo é “Cabeça da Igreja” significa que Ele e a Igreja formam uma unidade indissolúvel e que há entre os dois uma comunhão total de vida; significa, também, que Cristo é o centro em volta do qual o “corpo da Igreja” se articula, se orienta e constrói; é só de Cristo que a Igreja depende e só a Ele deve obediência.

Dizer que a Igreja é a “plenitude” de Cristo significa dizer que nela reside a “totalidade” de Cristo. É o espaço onde irrompe o amor de Cristo no mundo. Nesse “corpo” onde reside, Cristo continua todos os dias a realizar o seu projeto de salvação em favor dos homens, até que o próprio Cristo “seja tudo em todos”. Enquanto este “corpo de Cristo” (a Igreja) não chegar a participar totalmente da glória da “cabeça” (Cristo), a obra do Senhor não estará completa.

Paulo deseja que “o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo... lhes dê um espírito de sabedoria que lhes revele Deus, e faça que... lhes ilumine os olhos da mente, para que compreendam a esperança para a qual ele os chamou”. Não pede inteligência, mas “espírito de sabedoria”. Não pede uma boa visão física e sensorial, mas que “lhes ilumine os olhos da mente”. O verdadeiro conhecimento não vem de fora, mas da experiência interior. Nem teologia, nem normas morais, nem ritos servem de nada se não nos levam à experiência interior e não vão acompanhados de uma vida entregue aos outros.

Por tudo isto, o texto nos compromete e nos interroga: até que ponto nós, cristãos, estamos dispostos a sermos canais do amor de Cristo entregue para que o universo todo chegue à plenitude?


Evangelho: Mateus 28, 16-20

16 Os onze discípulos foram para a Galiléia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. 17 Quando viram Jesus, ajoelharam-se diante dele. Ainda assim, alguns duvidaram. 18 Então Jesus se aproximou, e falou: «Toda a autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra. 19 Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, 20 e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo.».

A ascensão de Cristo ao céu é um passar do tempo para a eternidade, do visível para o invisível, do mundo dos homens para a vida do Pai. Ele agora vive na perfeição absoluta, na glória e na felicidade, depois de ter chegado à meta que toda a criação está chamada a alcançar. Quando a Igreja proclama que o Senhor “subiu ao céu” é tudo isto que está celebrando.

O evangelho que acabávamos de ler fala da “ascensão” do Senhor com um gesto semelhante a uma “partida” (“afastou-se deles”) acompanhado de uma benção (“enquanto os abençoava”), tal como era costume naquele tempo antes de viajar. De fato, os apóstolos não parecem ter experimentado o sentimento de “perda” Jesus; pelo contrário, ”voltaram para Jerusalém, com grande alegria” como se a oportunidade de tê-lo conhecido e convivido com Ele superasse a tristeza da separação. Além disso, sabiam que a sua ausência estava dando lugar a outro tipo de presença (“eu lhes enviarei aquele que meu Pai prometeu”). Mais tarde, esta presença nova, com a vinda do Espírito Santo, iria mudar a vida dos discípulos.

Tudo isto quer dizer que a missão de Jesus não acaba com sua morte, ressurreição e ascensão; ela continua pelo anúncio do seu Evangelho a todo o mundo através dos seus discípulos que “são testemunhas disso” e deverão falar “no seu nome”. A Igreja de Jesus é, essencialmente, uma comunidade missionária, cuja missão é testemunhar no mundo a proposta de salvação e de libertação que Jesus veio trazer aos homens e que deixou nas mãos e no coração dos discípulos.

A missão dos discípulos destina-se a “todas as nações”; é uma missão universal. Missão, certamente difícil de cumprir; mas, junto com esta grande responsabilidade, dá-lhes o necessário para levá-la a bom termo, que é, a força do Espírito Santo (“aquele que meu Pai prometeu”). Ele será o principal dinamizador, no tempo da Igreja, para dar continuidade à obra de Jesus, transformando a história, especialmente pela evangelização dos pobres e oprimidos.

Hoje, nesta solenidade da Ascensão do Senhor, celebramos a alegria de saber que Cristo nos precede na glória. Sua Ascensão
aos céus confirma a esperança da nossa glorificação e já é nossa vitória, mas devemos sempre lembrar que não é para ficar
“aí parados, olhando para o céu”,
como os apóstolos num primeiro momento.

Tem muitos cristãos olhando, não para o céu, mas para as nuvens, totalmente alienados sem assumir uma atitude séria de evangelização. Precisamos tomar consciência de que somos testemunhas e anunciadores da Boa Nova da ressurreição do Senhor e arregaçar as mangas para assumir a missão que o Senhor nos confiou de evangelizar, na esperança, diante de uma sociedade materialista que sacrifica o ser humano em aras de um progresso avassalador e conduz a um consumismo desenfreado.

Contra o uso e a instrumentalização do ser humano, nós, cristãos, afirmamos a “ascensão” e a salvação de todos os homens, e de cada homem em particular, porque cada um deles é filho de Deus e a sua dignidade pessoal tem que ser respeitada.

+ É relativamente frequente ouvirmos dizer que os seguidores de Jesus gostam mais de olhar para o céu do que comprometerem-se na transformação da terra. Estamos, efetivamente, atentos aos problemas e às angústias dos homens, ou vivemos de olhos postos no céu, num espiritualismo alienado? Sentimo-nos questionados pelas inquietações, pelas misérias, pelos sofrimentos, pelos sonhos e pelas esperanças que enchem o coração dos que nos rodeiam? Sentimo-nos solidários com todo ser humano, particularmente com aqueles que sofrem?

Sendo que não podemos guardar a Boa Nova do Evangelho só para nós, a Igreja celebra hoje o 51º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS. Com o tema: “Não tenhas medo, que Eu estou contigo”(Isaias 43, 5), o lema deste ano é Comunicar esperança e confiança, no nosso tempo.

Graças ao progresso tecnológico, o acesso aos meios de comunicação possibilita a muitas pessoas ter conhecimento quase instantâneo das notícias. Estas notícias podem ser boas ou más, verdadeiras ou falsas. A nossa mente processa tudo. Cabe aos detentores dos meios de comunicação decidir o material que vão lhe fornecer.

A Igreja quer encorajar a todos aqueles que diariamente oferecem tantas informações a oferecer uma comunicação construtiva, que, rejeitando os preconceitos contra o outro, promova uma cultura do encontro por meio da qual se possa aprender a olhar a realidade com confiança.

É necessário romper o círculo vicioso da angústia e deter a espiral do medo, não insistir tanto nas «más notícias» (guerras, terrorismo, escândalos). Não se trata de promover desinformação ou de ignorar o drama do sofrimento, nem de cair num otimismo ingênuo. Pelo contrário, trata-se de ultrapassar o sentimento de medo e a impressão de não ser possível pôr limites ao mal. Nem sistema comunicador onde vigora a ideia de a notícia boa não desperta a atenção (e por conseguinte não é uma notícia) e onde o drama do sofrimento e o mal são elevados a espetáculo, podemos ser tentados a anestesiar a consciência ou cair no desespero.

É preciso buscar um estilo de comunicação aberto e criativo, que não dê o maior protagonismo ao mal, mas procure evidenciar as possíveis soluções, inspirando uma abordagem positiva e responsável nas pessoas a quem se comunica a notícia.   

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centro de promoÇÃO VOCACIONAL - osa
1º ENCONTRO VOCACIONAL AGOSTINIANO NACIONAL -
07, 08 e 09 de julho de 2017 EM sÃO PAULO (sp)

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