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HOMILIA
eSCRITA POR Pe. C.Madrigal, o.s.a.- ciriacomadrigal@gmail.com

DIA 21 DE JANEIRO DE 2018

O tema da vocação, do Domingo passado, aprofunda-se hojecom a narração da vocação dos primeiros discípulos. Isto nos lembra, mais uma vez, que Deus ama cada homem e cada mulher e chama-os a uma vida plena e verdadeira. A resposta a este chamamento de Deus (vocação) passa por uma mudança de mentalidade (conversão) para identificar-nos com Jesus.

Através da história do profeta Jonas (1ª leitura), a Liturgia mostra-nos que o caminho que nos leva a Deus passa por esta “mudança”. Por ela nos tornamos discípulos de Jesus e nos integramos na sua comunidade participando com Ele da obra da evangelização (evangelho). Deus convida cada cristão a viver voltado para o mundo futuro (2ª leitura), dando prioridade aos valores eternos, que são os valores do “Reino de Deus”.

1ª LEITURA: Jonas 3,1-5.10

1 A palavra de Javé foi dirigida a Jonas pela segunda vez, ordenando: 2 «Levante-se e vá a Nínive, a grande cidade, e anuncie-lhe o que vou dizer a você». 3 Jonas se levantou e foi a Nínive, conforme Javé lhe tinha ordenado. Nínive era uma cidade fabulosamente grande: tinha o comprimento de uma caminhada de três dias. 4 Jonas entrou na cidade e começou a percorrê-la, caminhando um dia inteiro. Ele dizia: «Dentro de quarenta dias, Nínive será destruída!» 5 Os moradores de Nínive começaram a acreditar em Deus, e marcaram um dia de penitência, vestindo-se todos de pano de saco, desde os maiores até os menores....10 Deus viu o que eles fizeram e como se converteram de sua má conduta; então, desistiu do mal com que os tinha ameaçado, e não o executou.

O livro de Jonas não é uma narração histórica sobre fatos reais acontecidos, mas uma história didática, escrita para ensinar e cheia de imagens à semelhança humana mediante as quais o autor quer apresentar um Deus, antes de tudo, misericordioso que alcança a todos com o seu perdão; até mesmo os pecadores desde que se convertam. Ao mesmo tempo, o relato recrimina os judeus pela sua demora em converter-se, enquanto os pagãos convertem-se logo no primeiro dia de pregação de Jonas sem necessidade alguma de sinais especiais.

Partindo da conversão dos ninivitas, o autor apresenta Deus como se fosse um ser humano que “desiste” de sua ameaça e lhes concede o seu perdão. Isto significa que o Senhor não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva; que a misericórdia divina prevalece sempre sobre sua justiça e não está reservada apenas ao povo de Israel, mas se estende a todos os povos, inclusive aos pagãos de Nínive e do mundo inteiro.

Com isto, o autor quer salientar que todo homem, qualquer que seja, está chamado ao arrependimento, mediante o qual, o perdão de Deus está ao dispor de todos sem exceção. Cristo fará sua esta doutrina mais tarde citando a cidade de Nínive (Mateus 12, 38-42), outrora símbolo da corrupção e da injustiça, como modelo de fé e conversão a imitar pelo povo de Israel.


2ª LEITURA: 1 Coríntios 7,29-31

29 Uma coisa eu digo a vocês, irmãos: o tempo se tornou breve. De agora em diante, aqueles que têm esposa, comportem-se como se não a tivessem; 30 aqueles que choram, como se não chorassem; aqueles que se alegram, como se não se alegrassem; aqueles que compram, como se não possuíssem; 31 os que tiram partido deste mundo, como se não desfrutassem. Porque a aparência deste mundo é passageira.

Paulo recorda aos cristãos de Corinto que não devem esquecer que “o tempo se tornou breve”, quando tiverem que fazer as suas opções de vida. O cristão vive mergulhado nas realidades terrenas, mas não pode viver para elas. As realidades terrenas são passageiras e efêmeras; por isso, elas não devem tomar conta de nossa vida. O fundamental, que deve estar em primeiro lugar, são as realidades eternas. O mais importante, para um cristão, é sempre o amor a Cristo e a adesão ao Reino. O resto (mesmo que seja importante) deve ficar em segundo lugar.

É nessa perspectiva que podemos compreender os conselhos que Paulo dá referentes ao matrimônio, ao celibato e à virgindade. Com isto, Paulo não diz que não podemos chorar ou casar-nos ou comprar. O que ele quer dizer é que nada disto pode ser a razão e o sentido último das nossas vidas “porque a aparência deste mundo é passageira”. Nenhum bem deste mundo pode suplantar o dom total da própria vida ao Senhor, como forma de comprometer-se por inteiro no testemunho do Evangelho.


EVANGELHO: Marcos 1,14-20

14 Depois que João Batista foi preso, Jesus voltou para a Galiléia, pregando a Boa Notícia de Deus: 15 «O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia.» 16 Ao passar pela beira do mar da Galiléia, Jesus viu Simão e seu irmão André; estavam jogando a rede ao mar, pois eram pescadores. 17 Jesus disse para eles: «Sigam-me, e eu farei vocês se tornarem pescadores de homens.» 18 Eles imediatamente deixaram as redes e seguiram a Jesus. 19 Caminhando mais um pouco, Jesus viu Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes. 20 Jesus logo os chamou. E eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados e partiram, seguindo a Jesus.

O evangelista Marcos transmite-nos as primeiras palavras da pregação de Jesus. Ele começa sua vida pública “depois que João Batista foi preso” e a sua pregação tem muito a ver com a pregação de João no sentido de exigir mudança radical de orientação de vida (“Convertam-se e acreditem na Boa Notícia”). Esta é a chave de interpretação da sua atividade apostólica bem no inicio da sua vida pública. Não é mais tempo de esperar e Jesus se entrega totalmente à sua missão anunciando que “o Reino de Deus está próximo” e está na hora de agir.

O convite que faz aos primeiros discípulos (“Simão e seu irmão André”... “Tiago e João”) envolve uma verdadeira mudança de vida para eles, uma “conversão”. Simão e André deixam a profissão de pescadores; Tiago e João deixam seu pai e seu trabalho. Seguir Jesus leva consigo deixar as seguranças que possam impedir o compromisso com a missão evangelizadora. É uma mudança qualitativa (eram pescadores de peixes; agora serão «pescadores de homens»). Ouvindo deste chamado, eles não exigem garantias, não pedem tempo para pensar, para medir os prós e os contras, para pôr em ordem os negócios, para se despedir do pai ou dos amigos. Decidem “deixar tudo” para seguir Jesus. Esta atitude de escutar e acolher a vocação serve de modelo para os que se sentem chamados a trabalhar pelo Reino de Deus com determinação.

A imagem do pescador manifesta uma atitude fundamental do discípulo de Jesus que se dispõe a participar da obra da evangelização. O bom pescador sabe que não pode arrancar o peixe da água à força. Ele o atrai com paciência, com suavidade,
com jeito. O evangelizador só pode realizar com sucesso a sua missão se tiver uma atitude de respeito pela pessoa à qual quer apresentar a Boa Nova, se souber conduzi-la com carinho e paciência, respeitando seu ritmo e seus limites. Evangelizar não é impor e sim propor um novo modo de vida, novos valores, nova forma de entrar em relação com Deus.

Não podemos esquecer, porém, que este chamamento a participar da obra da evangelização não é algo reservado a um grupo especial de pessoas com uma missão especifica dentro da Igreja; é um convite que Deus dirige a cada homem e a cada mulher, sem exceção. Todos os batizados são chamados a serem discípulos de Jesus “mudando de forma de pensar”, “acreditando no Evangelho” e seguindo Jesus nesse caminho de amor e de dom da própria vida. Essa “vocação” é um valor fundamental que só traz felicidade quando o discípulo do Senhor a assume de verdade.

Como dissemos antes, o chamado de Jesus aos discípulos pressupõe uma atitude anterior de mudança de modo de pensar e agir, que chamamos de conversão. De fato, os discípulos já o conheciam e admiravam. Em nosso caso, também, já o conhecemos pela fé e estamos dispostos a participar da obra da evangelização, mas é bom ter em conta o seguinte:

A INICIATIVA parte de Jesus. Neste seu convite gratuito e inesperado acontece um chamado que é difícil recusar, embora a resposta sempre envolva deixar algo para segui-lo. Não tinham muito a deixar aqueles pescadores, mas deixaram tudo e foi com prontidão (“Eles imediatamente deixaram as redes… deixaram seu pai... e partiram, seguindo a Jesus). É assim que tem que ser.

Este “deixar” é MUDANÇA DE VIDA, muitas vezes radical. Não se trata apenas de deixar o trabalho e a família, mas também de renunciar à ambição pelas riquezas, como aconteceu na vocação do homem rico (Marcos 10, 21), abandonar o caminho da dominação e do poder, desmontar a idéia de Deus que nós mesmos criamos para defender nossos privilégios.

O chamado de Jesus, porém, é para o SEGUIMENTO D’ELE. Essa é a razão de deixar tudo: estar livres para uma verdadeira partilha de vida com aqueles que irão receber a mensagem do Evangelho, dando preferência aos que foram marginalizados pelo sistema social injusto porque são os que Deus ama em primeiro lugar.

Poderia parecer um projeto para poucos, mas é para todos (justos e pecadores; sábios e iletrados). Jesus escolheu humildes pescadores sem estudo e até mesmo um odiado cobrador de impostos (Mateus) lá do ambiente em que viviam, seja à margem do lago ou na mesa da coletoria dos impostos. Em todo caso, seguir Jesus exige mudança de vida para servir e entrega de si pelo bem dos outros. É o que caracteriza o discípulo de Jesus.

+ O Reino de Deus que Jesus anuncia se fundamenta na comunhão filial com Deus e na solidariedade fraterna com todos os homens; tudo isto em vista da transformação da realidade pela conversão da humanidade aos valores da verdade, da justiça, da liberdade, da igualdade, da paz e do amor para com todos, especialmente para os últimos e os excluídos, que são os que mais precisam. É o sonho ideal de um “novo céu e uma nova terra”, como anuncia Isaias e João repete no livro do Apocalipse. É o anuncio que hoje escutamos: «O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia».

+ Vimos no evangelho que Simão (Pedro) e André não tiveram dúvidas; “eles imediatamente deixaram as redes e seguiram a Jesus”. Deixaram tudo, mas nem sempre é fácil se desvencilhar de tantas redes que nos enrolam, principalmente quando se trata de dar o nosso tempo, colocar a disposição as nossas qualidades, colocar-nos numa atitude de serviço para participar da obra da evangelização através das diversas pastorais da Igreja. A pergunta é esta: “Quais são as “redes” que me impedem de poder avançar no seguimento de Jesus?” Porque o chamado d’Ele é para todos. A resposta, porém, tem que ser dada por cada um de nós com o olhar voltado para aqueles que mais precisam.

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centro de promoÇÃO VOCACIONAL - osa
2º ENCONTRO VOCACIONAL AGOSTINIANO REGIONAL -
26, 27 e 28 DE JANEIRO DE 2018 EM sÃO PAULO (SP)

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