img
img

HOMILIA
eSCRITA POR Pe. C.Madrigal, o.s.a.- ciriacomadrigal@gmail.com

DIA 26 DE NOVEMBRO DE 2017

O Ano Litúrgico não coincide com o ano civil. Começa quatro domingos antes do Natal (Tempo do Advento) e termina com a celebração da Festa de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do universo, que acontece neste Domingo. Desta forma, encerramos as celebrações litúrgicas que realizamos ao longo do ano, resumindo tudo em Jesus Cristo, Senhor do tempo e da história. O reinado de Cristo começou a partir do seu Nascimento em Belém, foi confirmado pela sua Ressurreição e chegará à plenitude na segunda vinda do Senhor, no fim dos tempos, quando Ele voltar para tomar posse de seu Reino.

As leituras deste Domingo falam-nos do Reino de Deus como uma realidade que Jesus semeou e que os discípulos são chamados a cultivar ao longo da história, embora o seu tempo definitivo irá acontecer no mundo que há de vir. É assim que a imagem do Bom Pastor (1ª leitura) se refere a Deus e ao seu modo amoroso de relacionar-se com a humanidade. Este mesmo amor deve refletir-se no amor que dedicamos aos irmãos, especialmente os mais pobres e necessitados (evangelho) porque a indiferença para com o irmão que sofre é uma atitude que não têm lugar no Reino de Deus. Finalmente, o apóstolo Paulo lembra-nos que o fim último da nossa caminhada é a participação nesse “Reino de Deus” (2ª leitura) para o qual Cristo nos conduz.

1ª Leitura: Ezequiel 34,11-12.15-17

11 «Assim diz o Senhor Javé: Eu mesmo vou procurar as minhas ovelhas. 12 Como o pastor conta o seu rebanho, quando está no meio de suas ovelhas que se haviam dispersado, eu também contarei as minhas ovelhas, e as reunirei de todos os lugares por onde se haviam dispersado, nos dias nebulosos e escuros.(...) 15 Eu mesmo conduzirei as minhas ovelhas para o pasto e as farei repousar - oráculo do Senhor Javé. 16 Procurarei aquela que se perder, trarei de volta aquela que se desgarrar, curarei a que se machucar, fortalecerei a que estiver fraca. Quanto à ovelha gorda e forte, eu a destruirei, pois cuidarei do meu rebanho conforme o direito». 17 «Quanto a você, rebanho meu, assim diz o Senhor Javé: Vou julgar entre ovelha e ovelha, entre carneiros e bodes».

Nesta 1ª leitura, Ezequiel anuncia ao povo de seu tempo que, quando estiver livre das autoridades que dele abusam (os “maus pastores”), poderá experimentar que é o próprio Deus quem dá sentido à verdadeira autoridade. Se o desígnio d’Ele é que haja liberdade e vida para todos, isto só poderá acontecer numa sociedade justa e fraterna quando o povo souber escolher governantes que se identifiquem com os valores do projeto de Deus e façam disto o alicerce do seu programa de governo.            

Para construir uma sociedade justa e fraterna, porém, não basta eliminar governantes injustos e substituí-los por governantes justos. A justiça deve ser um compromisso assumido por todos e deve penetrar todas as relações sociais, eliminando a exploração e a opressão de uns para com os outros, especialmente a tirania de uma classe privilegiada que se aproveita do povo.

É assim que Ezequiel apresenta Deus como um “Rei-Bom-Pastor” no estilo do Salmo 22 (“O Senhor é meu pastor, nada me falta...”). Por amor do seu povo (seu “rebanho”), fará aquilo que os “maus pastores” (os guias corruptos) não tem intenção de fazer, ou seja: preocupar-se do seu povo (“Eu mesmo vou procurar as minhas ovelhas”); defendê-lo e salvá-lo dos perigos (“as reunirei de todos os lugares por onde se haviam dispersado”); garantir a sua segurança alimentar (“Vou levá-las para pastar nas melhores invernadas”); cuidar da sua saúde e bem-estar (“curarei a que se machucar, fortalecerei a que
estiver fraca”).


Estas e outras formas de proteção social têm muito a ver com o ideal de vida plenamente humana numa sociedade de acordo
com a vontade de Deus.


2ª Leitura: 1ª Coríntios 15, 20-26a.28

20 Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos como primeiro fruto dos que morreram. 21 De fato, já que a morte veio através de um homem, também por um homem vem a ressurreição dos mortos.22 Como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos receberão a vida.23 Cada um, porém, na sua própria ordem: Cristo como primeiro fruto; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24 A seguir, chegará o fim, quando Cristo entregar o Reino a Deus Pai, depois de ter destruído todo principado, toda autoridade, todo poder. 25 Pois é preciso que ele reine, até que tenha posto todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. 26 O último inimigo a ser destruído será a morte, 28 E quando todas as coisas lhe tiverem sido submetidas, então o próprio Filho se submeterá àquele que tudo lhe submeteu, para que Deus seja tudo em todos.

São Paulo apresenta o Reinado de Cristo como algo que já existe, sim, mas que deverá chegar à sua plenitude quando o pecado e a morte sejam substituídos pela Graça e pela Vida que Cristo nos trouxe na sua Ressurreição (ver Romanos 5,17-21).

O nosso texto indica-nos que a meta final da nossa caminhada é o Reino de Deus, isto é, uma vida plena e definitiva onde a doença, a tristeza, o sofrimento, a injustiça e a morte estarão superadas. A nossa vida tem tudo para ser uma caminhada confiante (mesmo no sofrimento e na dor) em direção ao desabrochar dessa vida plena que Deus nos reserva.

Como é que chegaremos lá? Paulo responde: identificando-nos com Cristo. A ressurreição de Cristo é a garantia da nossa ressurreição. Uma vida vivida na escuta atenta à vontade do Pai, no amor e no serviço aos irmãos, conduz à vida plena e definitiva. Se a nossa vida for vivida no seguimento de Cristo, participaremos com Ele da ressurreição. Descobrir isto, significa eliminar definitivamente o medo que nos impede de agir na construção de um mundo novo, comprometendo-se na luta pela justiça e pela paz, com a certeza de que a injustiça, a opressão, a oposição dos poderosos e até mesmo a morte não tem a última palavra.

Por isso “é preciso que ele reine”, destruindo tudo aquilo que perverte e desagrega o destino do ser humano. É assim que tudo estará pronto para Cristo “entregar o Reino a Deus Pai”.


Evangelho: Mateus 25, 31-46

31 «Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso. 32 Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33 E colocará as ovelhas à sua direita, e os cabritos à sua esquerda. 34 Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: 'Venham vocês, que são abençoados por meu Pai. Recebam como herança o Reino que meu Pai lhes preparou desde a criação do mundo. 35 Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era estrangeiro, e me receberam em sua casa; 36 eu estava sem roupa, e me vestiram; eu estava doente, e cuidaram de mim; eu estava na prisão, e vocês foram me visitar'. 37 Então os justos lhe perguntarão: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? 38 Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? 39 Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?' 40 Então o Rei lhes responderá: 'Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram. 41 Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: 'Afastem-se de mim, malditos. Vão para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. 42 Porque eu estava com fome, e vocês não me deram de comer; eu estava com sede, e não me deram de beber; 43 eu era estrangeiro, e vocês não me receberam em casa; eu estava sem roupa, e não me vestiram; eu estava doente e na prisão, e vocês não me foram visitar'. 44 Também estes responderão: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou sem roupa, doente ou preso, e não te servimos?' 45 Então o Rei responderá a esses: 'Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês não fizeram isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizeram'. 46 Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna.»

Se buscarmos Deus onde Ele não está, como poderemos achá-lo? Mas se o buscarmos lá onde Ele se encontra, isto é, nas pessoas citadas no evangelho de hoje (Os que passam fome. Os que estão com sede. Os estrangeiros. Os sem roupa. Os doentes. Os que estão na prisão), certamente o encontraremos!

Tudo isto nada tem de novo. A Bíblia sempre nos anima a ter misericórdia com os necessitados. A diferença está em que Jesus não apenas aconselha tratá-los com misericórdia, mas se identifica com eles. Aí está a novidade deste texto do evangelho. Jesus não diz que aquilo que fizermos aos menores de seus irmãos é como se o fizéssemos a Ele. Não! Ele diz: "foi a mim que o fizeram”. Desta forma, qualquer pessoa necessitada ou marginalizada passa a ter a dignidade de filho de Deus.

A partir deste evangelho, percebemos o modo como Deus está perto de nós. Temos hospitais repletos de doentes: Deus está perto. Temos prisões cheias de presos: Deus está perto... Quando visitamos um enfermo é Cristo quem visitamos; quando ajudamos os desabrigados é para Cristo que enviamos nossa ajuda. Como consequência disto, teremos que admitir que, quando não somos misericordiosos com os que sofrem, é ao próprio Cristo que desprezamos. Esse é o grande problema da falta de solidariedade!
A misericórdia é fundamental para encontrar a Deus. Se o ser humano não tiver misericórdia, como poderá ter fé? Se faltar a misericórdia é porque falta a fé. A fé verdadeira tem que gerar em nós relações fraternas de justiça e amor com os pobres, os humildes e os excluídos.

A fé, mais do que um vago sentimento do coração, significa reconhecimento e compromisso com a pessoa concreta de Jesus. Porém, podemos perguntar-nos, onde está Jesus? Ele mesmo nos responde que está plenamente identificado com os pobres, os oprimidos e os marginalizados por uma sociedade fundamentada na riqueza, no poder e na exclusão social. Por isso, o julgamento será sobre a nossa prática de misericórdia e de justiça em favor da libertação dos pobres e oprimidos. Esta é a condição necessária para participar da vida do Reino.

A realeza de Cristo torna-o juiz de todos os homens, que serão julgados justamente pelo amor que praticaram com os mais necessitados, aos quais Ele chama de “irmãos”. Para partilhar com o necessitado só é necessário um coração aberto e compassivo. Quem age assim, receberá de Deus a vida em plenitude.

Ao proclamamos que Jesus é Rei, estamos dizendo que Ele não é um rei como os reis deste mundo. Como poderia ser um rei “deste mundo” Ele que come com os pecadores, se aproxima dos pobres, não tem onde repousar a cabeça, cura, ama, defende o mais fraco e até passa por cima da lei do sábado para fazer o bem? Mais ainda, Ele proclama que este modo de agir não é outra coisa do que tornar presente o seu Reino, o Reino de Deus.

Os valores do seu Reino são mencionados de forma especial no prefácio da Missa de hoje, quando diz que se trata de um projeto para toda a humanidade (“Um Reino Eterno e universal”); busca sempre a verdade e defende a vida (“Reino da Verdade e da Vida”); estimula-nos a trilhar o caminho da santidade, respondendo à Graça de Deus (“Reino da Santidade e da Graça”); trabalha pela justiça e a paz, fazendo do amor a sua única razão de ser (“Reino da Justiça, do Amor e da Paz”).

Evidentemente, se for um reinado que semeia a paz e a unidade entre seus membros; que procura a verdade, defende a vida, cultiva a santidade, é orientado pela Graça de Deus (especialmente no que refere à justiça e ao amor), este reinado de Cristo não se fundamenta no poder, na riqueza, na dominação ou na ambição, como os reinos deste mundo.  É justamente, em torno do amor que gira seu reinado e, como diz o Evangelho de hoje, se quisermos fazer parte dele, teremos que ser julgados dignos pelo amor que praticamos com o nosso próximo.

+ Como gostariam os alunos, na escola, de conhecer as perguntas do exame final...! Nós temos essa sorte: Jesus já nos passou as perguntas e as respostas, tudo junto (“Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede e vocês…... todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram”).
Só nos falta dar a resposta com a nossa vida.

+ O amor ao irmão é, portanto, condição essencial para poder fazer parte do Reino de Deus. Nós, cristãos, temos consciência disso e sentimo-nos responsáveis pelos irmãos que sofrem? Os que não têm trabalho, nem pão, nem casa, podem contar conosco? Os que são vítimas de injustiças e violências, condenados a um trabalho escravo podem contar com a nossa solidariedade? Os pobres, vítimas de injustiças, podem contar com a nossa colaboração? Os que vivem sozinhos, abandonados por todos, sem amor, podem contar com a nossa amizade?

A Igreja inicia hoje e ANO NACIONAL DO LAICATO. O nome de LEIGO designa os membros do Povo de Deus que receberam a graça do Batismo e, sem fazer parte do ministério sacerdotal consagrado, são também chamados a serem sacerdotes de Deus no meio do mundo dando testemunho da fé pela sua ação apostólica e participando ativamente na construção de uma sociedade humana fundamentada nos valores do Reino de Deus. Eles são a riqueza e o futuro da Igreja porque é justamente deles que nascerão os futuros pastores que irão orientar este mesmo Povo de Deus.

Oremos para que os nossos leigos tomem consciência da sua vocação e se comprometam a viver esta vocação tanto na família quanto no trabalho, na ação social e em todos os âmbitos da atividade humana.

img

centro de promoÇÃO VOCACIONAL - osa
3º ENCONTRO VOCACIONAL AGOSTINIANO NACIONAL -
24, 25 e 26 de novembro de 2017 EM recife (pe)

img
img
img

 

 

 

 

 

 

 

img
© OSA Brasil 2009 | 2017
.:: Todos os Direitos Reservados ::.