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HOMILIA
eSCRITA POR Pe. C.Madrigal, o.s.a.- ciriacomadrigal@gmail.com

DIA 26 DE MAIO DE 2019

O Tempo Pascal está chegando ao seu fim e, neste Domingo, a liturgia mostra-nos o modo como as dificuldades eram resolvidas em comum na primitiva Igreja, presidida pelos apóstolos (1ª leitura), e como eles se organizavam de forma participativa. Ainda não tinham construído aquela “Cidade Santa” sonhada, à qual se refere São João (2ª leitura), mas iam se aproximando do ideal de vida anunciado por Jesus a fim de que a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) pudesse encontrar sua morada no coração dos discípulos (evangelho) e no seio da comunidade cristã.

Esta nova forma de presença divina, sob a ação do Espírito Santo e à luz dos ensinamentos de Jesus, fará possível a compreensão da Ressurreição do Senhor e da sua presença no coração do seu povo. Como resultado desta experiência, todos poderão desfrutar do dom da paz oferecido pelo Senhor Ressuscitado.

1ª LEITURA: Atos dos Apóstolos 15, 1-2.22-29

1 Chegaram alguns homens da Judéia e doutrinavam os irmãos de Antioquia, dizendo: «Se não forem circuncidados, como ordena a Lei de Moisés, vocês não poderão salvar-se.» 2 Isso provocou alvoroço e uma discussão muito séria deles com Paulo e Barnabé. Então ficou decidido que Paulo, Barnabé e mais alguns iriam a Jerusalém para tratar dessa questão com os apóstolos e anciãos...........22 Então os apóstolos e os anciãos, de acordo com toda a comunidade de Jerusalém, resolveram escolher alguns da comunidade para mandá-los com Paulo e Barnabé para Antioquia. Escolheram Judas, chamado Bársabas, e Silas, que eram muito respeitados pelos irmãos. 23 Através deles enviaram a seguinte carta: «Nós, os apóstolos e os anciãos, irmãos de vocês, saudamos os irmãos que vêm do paganismo e que estão em Antioquia e nas regiões da Síria e da Cilícia. 24 Ficamos sabendo que alguns dos nossos provocaram perturbações com palavras que transtornaram o espírito de vocês. Eles não foram enviados por nós. 25 Então decidimos, de comum acordo, escolher alguns representantes e mandá-los até vocês, junto com nossos queridos irmãos Barnabé e Paulo, 26 homens que arriscaram a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27 Por isso, estamos enviando Judas e Silas, que pessoalmente transmitirão a vocês a mesma mensagem. 28 Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não impor sobre vocês nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis: 29 abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das uniões ilegítimas. Vocês farão bem se evitarem essas coisas. Saudações!»

Sem esconder os conflitos que aconteciam na Igreja nascente, os Atos dos Apóstolos mostram-nos a grande dificuldade que houve em definir um modo de vida próprio, na primitiva Igreja, que não fosse apenas uma copia do judaísmo.

Justamente, diante da insistência dos cristãos que provinham do judaísmo em continuar com as práticas e costumes judaicos, Paulo e Barnabé acharam por bem consultar os apóstolos que, por sua vez, não resolveram a questão de forma autoritária, mas consultaram, dialogaram e decidiram («o Espírito Santo e nós») certos de que a comunidade estava com eles e, portanto, estavam agindo conforme a vontade de Deus.

A decisão é de estrema tolerância e compreensão («não impor sobre vocês nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis») e, embora achando que ainda devia conservar-se o «abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das uniões ilegítimas», assumem a sua autoridade enviando «Judas..., e Silas, que eram muito respeitados pelos irmãos» para transmitirem a decisão, ao tempo em que desautorizavam aqueles que «não foram enviados por nós» e que estavam perturbando os cristãos vindos do paganismo, obrigando-os a seguir as praticar judaicas.

Um verdadeiro modelo de “democracia” e de tolerância, sem perder a legitima autoridade. Temos que reconhecer que, em alguns aspectos, a hierarquia da Igreja atual, os bispos, os simples párocos de tantas paróquias e até mesmo os leigos que coordenam as diversas pastorais precisam reler o modo como funcionava a Igreja de Jerusalém para aprender a dirigir com verdadeiro espírito apostólico o povo de Deus a eles confiado.


2ª LEITURA: Apocalipse 21, 10-14.22-23

10 E me levou em espírito até um grande e alto monte. E mostrou para mim a Cidade Santa, Jerusalém que descia do céu, de junto de Deus, 11 com a glória de Deus. Seu esplendor é como de uma pedra preciosíssima, pedra de jaspe cristalino. 12 Ela está cercada por alta e grossa muralha, com doze portas. Sobre as portas há doze Anjos. Cada porta tem um nome escrito: os nomes das doze tribos de Israel. 13 São três portas no lado do oriente, três portas ao norte, três portas ao sul e três portas no lado do poente. 14 A muralha da cidade tem doze pilares. E nos pilares está escrito o nome dos doze apóstolos do Cordeiro............... 22 Não vi na Cidade nenhum Templo, pois o seu Templo é o Senhor, o Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro. 23 A Cidade não precisa do sol nem da lua para ficar iluminada, pois a glória de Deus a ilumina e sua lâmpada é o Cordeiro.

Nesta segunda leitura, o apóstolo João apresenta a nova humanidade como uma cidade perfeita e deslumbrante, a «Cidade Santa, Jerusalém que descia do céu». Ela reflete a glória de Deus porque é nela que Ele está presente. Todas as expressões simbólicas que João utiliza («doze portas”, “doze Anjos”, “nomes das doze tribos de Israel”, “três portas” “doze pilares”, “o nome dos doze apóstolos») querem mostrar (à perfeição) a imagem, a beleza e a santidade da Aliança com Deus.

Na Jerusalém histórica, o Templo era o lugar da presença de Deus no meio do seu povo. No mundo definitivo, porém, tudo estará envolvido pela presença de Deus «pois o seu Templo é o Senhor». Este é o motivo pelo qual, na Jerusalém celeste, não existe «nenhum Templo»; porque Deus está presente nessa nova humanidade. Não será necessário usar de meio algum para ligar-se com Deus: nem Templo, nem liturgia, nem sacerdócio. Será o momento de encontrar-nos face-a-face com o Criador.   Consequentemente, também, não serão necessárias outras mediações (políticas, econômicas, propagandísticas, comerciais, etc.) para viver em harmonia porque a comunhão total com Deus levará à comunhão total dos homensentre si.


EVANGELHO: João 14, 23-29

23 Jesus respondeu: «Se alguém me ama, guarda a minha palavra, e meu Pai o amará. Eu e meu Pai viremos e faremos nele a nossa morada. 24 Quem não me ama, não guarda as minhas palavras. E a palavra que vocês ouvem não é minha, mas é a palavra do Pai que me enviou. 25 Essas são as coisas que eu tinha para dizer estando com vocês. 26 Mas o Advogado, o Espírito Santo, que o Pai vai enviar em meu nome, ele ensinará a vocês todas as coisas e fará vocês lembrarem tudo o que eu lhes disse.» 27 «Eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz. A paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá. Não fiquem perturbados, nem tenham medo. 28 Vocês ouviram o que eu disse: 'Eu vou, mas voltarei para vocês'. Se vocês me amassem, ficariam alegres porque eu vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. 29 Eu lhes digo isso agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vocês acreditem.

Com estas palavras, o Senhor se despede na Ultima Ceia insistindo no vínculo fundamental que deve prevalecer sempre entre Ele e seus discípulos, que é o amor.  

Jesus sabe que não poderá estar por muito tempo acompanhando seus discípulos; mas sabe também que há outra forma, não necessariamente física, de estar com eles. Por isso os prepara para que aprendam a experimenta-lo não mais como uma realidade física, e sim, numa dimensão espiritual através da qual poderão contar com a força, a luz, o consolo e a orientação necessários para perseverar e enfrentar a caminhada com fidelidade.

Existe uma relação profunda entre amar alguém e fazer o que lhe agrada («Se alguém me ama, guarda a minha palavra»). Jesus é a Palavra, o Verbo de Deus feito carne. A Palavra, que é Jesus, é «a palavra do Pai». A resposta de Deus para aquele que guarda a sua Palavra e cumpre a sua vontade não pode ser outra que o amor («meu Pai o amará»). Um amor que supera todas as distâncias e rompe todas as barreiras («Eu e meu Pai viremos e faremos nele a nossa morada»), estabelecendo uma comunhão tão íntima entre a criatura e o Criador que o ser humano se transformará nada menos que em morada (“templo”, portanto) de Deus. Por isso São Paulo escreve: «Vocês não sabem que são templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? » (1Corintios 3,16).  

O que significa isto? Significa que, assim como a nossa casa está organizada e arrumada ao nosso gosto e denota o nosso modo de ser e de viver, do mesmo modo Deus transformará o nosso ser interior à sua imagem pelo simples fato de fazer da nossa alma a sua morada. Isto é “viver em estado de graça”, ou seja, viver em perfeita comunhão com Deus.

Se for assim que somos transformados, nada demais que o Pai envie seu Espírito Santo a fim de que acompanhe cada um de nós e a comunidade cristã, pois «Ele ensinará a vocês todas as coisas». Não há maior dignidade para o ser humano do que contar com a presença do Espírito de Deus. Para tanto, só precisamos ser daqueles que o Senhor diz: «Se alguém me ama, guarda a minha palavra». A única condição necessária para que tudo isto aconteça é “amar o Senhor e guardar a sua Palavra”.

Finalmente, Jesus entrega aos discípulos o dom da paz («eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz»). Por certo, esta paz de Cristo, «não é a paz que o mundo dá». Aquela é uma paz efêmera, muitas vezes fundamentada apenas no equilíbrio das forças. Esta é um estado de ânimo que nos faz superar o medo e nos leva a viver em plena harmonia com Deus, com a humanidade toda e com o mundo criado. A verdadeira paz envolve todas as dimensões da vida humana e torna-se um compromisso permanente para os seguidores de Jesus.

Desta forma, a nossa alma transforma-se no âmbito onde o Pai, o Filho e o Espírito Santo tornam presente o seu amor e dão sentido ao nosso viver colocando-nos na estrada do Evangelho. Esta habitação divina, em cada ser humano que se dispõe a acolher Deus, é a condição que nos permite ser, viver, relacionar-nos fraternalmente e esperar a eternidade da vida.

Na Palavra que hoje meditamos, vemos que Jesus se despede dos seus discípulos, infundindo-lhes ânimo e descobrindo-lhes seus últimos desejos.

Que não se perca a minha Mensagem. Que a Boa Nova de Deus não caia no esquecimento. Que seus seguidores mantenham sempre viva a lembrança do projeto de  humanização do Pai (o "reino de Deus" de que tanto lhes falou). Se o amam é disto que tem de cuidar («se alguém me ama, guarda a minha palavra.. quem não me ama, não guarda as minhas palavras».). Depois de vinte séculos, o que fizemos do Evangelho de Jesus? O estamos guardando fielmente? O acolhemos em nosso coração e o transmitimos com autenticidade?

O Pai lhes enviará em meu nome um Defensor. Jesus não quer que fiquem órfãos. O Pai lhes enviará o Espírito Santo que os defenderá do risco de afastar-se d’Ele, os "ensinará" a compreender melhor tudo o que lhes falou e os ajudará a aprofundar cada vez mais na sua Mensagem, "lembrando-lhes" o que escutaram e educando-os neste seu novo estilo de vida. Depois de vinte séculos, estamos nos deixando guiar pelo Espírito de Jesus? Sabemos atualizar sua Boa Nova? Vivemos atentos aos que sofrem?

Eu lhes dou a minha paz. Jesus quer que os seus discípulos vivam na mesma paz que experimentaram n’Ele, fruto de sua união íntima com o Pai. A paz que lhes dá é diferente da paz do mundo. Nasce no coração que acolhe o Espírito de Jesus e é a paz que deverão transmitir quando anunciem o reino de Deus a fim de abrir o caminho a um mundo mais justo e fraterno. Nunca deverão perder essa paz («não fiquem perturbados, nem tenham medo»). Depois de vinte séculos, por que tememos e receiamos da sociedade moderna, quando tanta gente tem fome de Deus? Não podemos ficar parados, Tudo nos convida a ser a verdadeira Igreja, fiel a Jesus e ao seu Evangelho.

+ Neste mês de Maio, como falar do mistério maravilhoso da presença de Deus em nossa vida sem lembrar-nos de Maria, a Mãe de Jesus e mãe nossa? Nela se realizou plenamente a palavra do Evangelho que acabamos de refletir porque se alguém dentre os discípulos do Senhor guardou com total fidelidade a sua palavra, foi ela; se alguém se abriu sem condições ao amor de Deus, foi ela; se alguém soube doar-se totalmente em beneficio da humanidade, colocando sua vida a serviço do Plano de Salvação que Deus iria realizar em Cristo, foi ela. Tanto Deus a amou que fez dela a sua morada, transformando-a e preparado nela um corpo humano para seu Filho poder aproximar-se de nós, encarnado na natureza humana a fim de ensinar-nos a Verdade que dá sentido às nossas vidas e mostrar-nos o Caminho que conduz ao Pai onde está a verdadeira Vida.

 

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