img
img

HOMILIA
eSCRITA POR Pe. C.Madrigal, o.s.a.- ciriacomadrigal@gmail.com

DIA 20 DE MAIO DE 2018

A Palavra de Deus mostra-nos que assim como o Espírito Santo esteve presente no começo da vida pública de Jesus, também marcou presença no início da atividade missionária da Igreja (1ª leitura). Este mesmo Espírito comunica-se à Igreja através de muitos e diversos dons, todos eles destinados a construir o único Corpo Místico de Cristo (2ª leitura). A Igreja, iluminada e fortalecida por esses dons do Espírito, torna-se força viva e libertadora contra o mal que existe no mundo através da linguagem do amor que, como o sopro do Espírito de Jesus, se comunica a todos (evangelho).

Neste Domingo encerramos o Tempo Pascal celebrando a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos e sobre todos nós que formamos parte a Igreja. O recebemos no Batismo e, especialmente, no Sacramento do Crisma.


1ª LEITURA: Atos dos Apóstolos 2,1-11

1 Quando chegou o dia de Pentecostes, todos eles estavam reunidos no mesmo lugar. 2 De repente, veio do céu um barulho como o sopro de um forte vendaval, e encheu a casa onde eles se encontravam. 3 Apareceram então umas como línguas de fogo, que se espalharam e foram pousar sobre cada um deles. 4 Todos ficaram repletos do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. 5 Acontece que em Jerusalém moravam judeus devotos de todas as nações do mundo. 6 Quando ouviram o barulho, todos se reuniram e ficaram confusos, pois cada um ouvia, na sua própria língua, os discípulos falarem. 7 Espantados e surpresos, diziam: «Esses homens que estão falando, não são todos galileus? 8 Como é que cada um de nós os ouve em sua própria língua materna? 9 Entre nós há partos, medos e elamitas; gente da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10 da Frígia e da Panfília, do Egito e da região da Líbia vizinha de Cirene; alguns de nós vieram de Roma, 11 outros são judeus ou pagãos convertidos; também há cretenses e árabes. E cada um de nós em sua própria língua os ouve anunciar as maravilhas de Deus!»

O Espírito Santo é a doação que Deus faz de si mesmo aos homens para transmitirem alegria, liberdade, entusiasmo e paz. O Espírito de Jesus está conosco e nos encarrega de proclamar a libertação às pessoas angustiadas e oprimidas, a esperança aos desiludidos e marginalizados. Ele é a demonstração da presença, da companhia, da graça e do amor de Deus. É o nosso Consolador.

O relato desta 1ª leitura tem duas partes bem diferenciadas. Na primeira parte, Lucas descreve o que aconteceu dentro da casa com uma série de fenômenos que manifestam a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos tais como o vento impetuoso (sinal do poder do Espírito de Deus), as línguas de fogo (representando a iluminação da mente e a força interior) e o dom de línguas (a capacidade de comunicação para a missão a ser realizada).

Na segunda parte, Lucas mostra o que acontece fora da casa, invertendo o acontecido no relato da torre de Babel (Gênesis 11,1-9), quando o orgulho humano rompeu a unidade e não permitiu aos homens falarem a mesma língua. Agora o Espírito Santo restaura a unidade e a capacidade de comunicação de forma que todos entendem a mensagem dos apóstolos, cada um na sua própria língua, porque a «língua» dos discípulos de Jesus é o amor, núcleo central do Evangelho.


2ª LEITURA: 1Corintios 12,3-7.12-13

3 Por isso, eu declaro a vocês que ninguém, falando sob a ação do Espírito de Deus, jamais poderá dizer: «Maldito Jesus!» E ninguém poderá dizer: «Jesus é o Senhor!» a não ser sob a ação do Espírito Santo. 4 Existem dons diferentes, mas o Espírito é o mesmo; 5 diferentes serviços, mas o Senhor é o mesmo; 6 diferentes modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. 7 Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos. 8 A um, o Espírito dá a palavra de sabedoria; a outro, a palavra de ciência segundo o mesmo Espírito; 9 a outro, o mesmo Espírito dá a fé; a outro ainda, o único e mesmo Espírito concede o dom das curas; 10 a outro, o poder de fazer milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, o dom de falar em línguas; a outro ainda, o dom de as interpretar. 11 Mas é o único e mesmo Espírito quem realiza tudo isso, distribuindo os seus dons a cada um, conforme ele quer. 12 De fato, o corpo é um só, mas tem muitos membros; e no entanto, apesar de serem muitos, todos os membros do corpo formam um só corpo. Assim acontece também com Cristo. 13 Pois todos fomos batizados num só Espírito para sermos um só corpo, quer sejamos judeus ou gregos, quer escravos ou livres. E todos bebemos de um só Espírito.

Para orientar o entusiasmo carismático dos coríntios, Paulo adverte que nem todas as manifestações de entusiasmo religioso provêm de Deus.

Na mística cristã, o primeiro critério para discernir os verdadeiros dons do Espírito é reconhecer Jesus como Senhor ( “ninguém poderá dizer: «Jesus é o Senhor!» a não ser sob a ação do Espírito Santo”). O segundo critério, é que esses dons não são para proveito pessoal mas sempre deverão estar a serviço da comunidade (“Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos”). Cada pessoa, na comunidade cristã, recebe um dom (ou melhor, ela mesma é um dom para o bem de todos). Por isso, cada um, sendo o que é e fazendo o que pode, age para o bem da comunidade, colocando-se a serviço de todos como dom gratuito. Tendo sido batizados para formarmos um só corpo, o Espírito não anula a diversidade, mas cria comunhão entre os que são diferentes entre si (“Existem dons diferentes, mas o Espírito é o mesmo”). Avançar na unidade, dentro da diversidade, como Corpo Místico de Cristo tem que ser o nosso ideal.

São Paulo usa a imagem do corpo (“Pois todos fomos batizados num só Espírito para sermos um só corpo”) para falar da unidade e da solidariedade. São dois aspectos essenciais da comunidade cristã. Esta comunidade é una, porque formamos o corpo de Cristo a partir do momento em que todos recebemos o sacramento do Batismo e o dom do Espírito Santo no sacramento do Crisma. Mesmo sendo diferentes entre nós, cada um pode contribuir, com a sua originalidade, para o crescimento de todos.

Portanto, “quer sejamos judeus ou gregos, quer escravos ou livres” não há lugar para complexos de superioridade nem de inferioridade dentro da Igreja de Cristo, pois o alicerce da vida comunitária é a solidariedade, que leva ao apóio mútuo e faz voltar-se, especialmente, para os fracos e necessitados, participando com eles dos sofrimentos e das alegrias.


EVANGELHO: João 20,19-23

19 Era o primeiro dia da semana. Ao anoitecer desse dia, estando fechadas as portas do lugar onde se achavam os discípulos por medo das autoridades dos judeus, Jesus entrou. Ficou no meio deles e disse: «A paz esteja com vocês.» 20 Dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos ficaram contentes por ver o Senhor. 21 Jesus disse de novo para eles: «A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.» 22 Tendo falado isso, Jesus soprou sobre eles, dizendo: «Recebam o Espírito Santo. 23 Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados.»

O evangelista João retrata a transformação que aconteceu nos discípulos, neste encontro com o Senhor Ressuscitado. Estavam “fechadas as portas... por medo”. Mas a Boa Nova do Evangelho não pode ficar fechada detrás de nenhum muro. A missão da comunidade de Jesus é libertar, transmitir paz, perdoar, dar vida, ser fermento na massa, sal e luz da terra.

O medo é o contrario da fé porque impede de viver a fé que transforma a vida. Nesta situação, Jesus se aproxima e nos oferece a sua Paz («A paz esteja com vocês.»). Paz é a primeira palavra, o primeiro desejo de Jesus Ressuscitado. Nesta Paz, Jesus nos oferece integridade de vida, busca da justiça, confiança, harmonia pessoal e social. A Paz que liberta do medo, da velha condição de pessoas “fechadas” em si mesmas para abrir as portas e janelas de nossa alma e assumirmos novos desafios.

Só existe vida na comunidade cristã quando esta vibra com a missão de Jesus, quando se arrisca, rompendo com velhas seguranças para abrir novos caminhos, sendo mais simples, mais autêntica, mais comprometida com a verdade do Evangelho. Não se trata de obrigar ninguém a aceitar a nossa fé, mas apenas de contagiar os outros com a felicidade que sentimos em seguir os passos de Jesus.

Pela ação do Espírito Santo, Jesus envia seus discípulos com a mesma missão que o Pai o enviou (“assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês”). Esta missão supõe a tarefa de reconciliação universal através do perdão («Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados.»). Precisamos do perdão e somos chamados a perdoar manifestando, desta forma, o perdão de Deus.

Ao dar-lhes esta missão, faz deles novas criaturas (“Jesus soprou sobre eles, dizendo: «Recebam o Espírito Santo»”). Da mesma forma, todos os que acreditamos em Jesus Ressuscitado somos chamados a evangelizar: para promover a PAZ, num mundo dividido, para conduzir ao PERDÄO e à MISERICÓRDIA, que é próprio da ação pastoral da Igreja, para construir a COMUNIDADE, que é a graça do Espírito para viver o amor fraterno. Foi para isto que recebemos a unção do Espírito Santo nos sacramentos do Batismo e do Crisma e nos tornamos semelhantes a Ele para levar o Evangelho a todos, especialmente aos últimos da sociedade (Lucas 4,18-19).

O Espírito do Senhor se manifestou como “forte vendaval”. É uma linguagem simbólica, usada na Bíblia para falar da manifestação do Espírito de Deus. De fato, a palavra “espírito” ( “ruah” em hebreu), significa “vento”, “sopro”.

O vento é algo que não se vê, mas sentem-se seus efeitos quando movimenta tudo a seu passo. É assim a presença e a ação de Deus. Nossos olhos não o vêm, mas sentimos sua presença e sua ação em nós. Desde o sopro de vida que Deus infundiu em Adão para se tornar um ser vivente (Gênesis 2,7), passando pela “brisa suave” que ouviu o profeta Elias (1Reis 19,12,13), até o “vento” que impulsou Jesus quando “era conduzido pelo Espírito através do deserto” (Lucas 4,1) e soprou como vendaval sobre os discípulos no dia de Pentecostes, esse “vento” poderoso é capaz de transformar nossa mentalidade e nossa vida.

O Espírito Santo é esse "sopro" de vida de Jesus que transformou aqueles homens medrosos em missionários corajosos capazes de enfrentar o Sinédrio para dar testemunho de Cristo. Neles passou a soprar o mesmo vento que carregava Jesus. Foi assim que eles se tornaram apóstolos. Foi assim que nasceu a Igreja.

Esse “sopro” de Deus continua presente em nossa vida. É como o ar que respiramos, a presença amiga que nos anima, a força que nos impele para seguir adiante na prática do bem. É o nosso Pentecostes, em meio ao medo e às dúvidas. Nele resplandece em plenitude a Vida Nova do Ressuscitado. A nossa Nova Vida.

E aí surge a pergunta inevitável para todos nós: É mesmo o vento de Jesus que sopra em nós e nos carrega? Porque existem muitos “ventos” espalhados pelo mundo que podem arrastar-nos aonde não queremos ir.

Sopram “ventos” de conivência com o poder, com a corrupção, com a opressão; “ventos” de desprezo pelos mais pobres, de intolerância, de acomodação a um mundo sem valores... Se bem é verdade que, também, sopra o “vento” de pessoas e grupos fiéis à Palavra de Deus, que encontram sua força na Eucaristia e o sentido de sua vida na solidariedade e na fraternidade, temos que reconhecer que estamos pouco abertos ao “vento” do Espírito de Deus. Passamos a nossa vida muito ocupados em nós mesmos, estressados, olhando para o chão do nosso cotidiano. É preciso levantar a cabeça por sobre o nosso egoísmo e sentir-nos filhos do Pai, para captar esse “vento de Deus” que nos mostra um rumo, um objetivo na vida, uma missão evangelizadora.

Este Espírito de Deus se faz entender em todas as línguas, se manifesta em todas as culturas, não é necessário renunciar à própria identidade, às próprias raízes, nem acomodar-se a outra forma de vida para recebê-lo. Ele só vem ampliar as nossas perspectivas, colocando Deus en primeiro lugar na nossa vida.

Hoje, dia de Pentecostes, é uma bela oportunidade de entrar dentro de nós e escutar, para além do cotidiano, do acostumado, do trivial, este “vento suave e poderoso” que nos conduz para uma forma de vida mais plena. É o dia de pedir, para cada um de nós e para a nossa Igreja, o “vento de Jesus”, o seu Espírito.

+ Hoje, de modo especial, podemos sentir a verdade das palavras de São Paulo: “Vocês não receberam um Espírito de escravos para recair no medo, mas receberam um Espírito de filhos adotivos, por meio do qual clamamos: Abba! Pai!”.

Espírito de Jesus,
Tu que és o espírito dos pobres e dos que lutam por eles, Vem!
Vem hoje visitar-me, vem logo, ultrapassa as paredes de minha casa.

Rompe as muralhas que me separam dos pobres,
derruba as minhas portas trancadas, abre todas as janelas,
deixa-me indefenso diante de Ti e diante deles.
Afasta todas as pedras que ponho em teu caminho,
e aproxima-te de mim para ungir-me com teu óleo,
o óleo dos pobres e da justiça.

Vem!, vem sem demora, unge minha alma, Espírito de Jesus, Espírito dos pobres,
enche minha alma do teu amor, Espírito Libertador, e envia-me aos
pobres,
levando-lhes a tua alegria e dignidade,

devolvendo-lhes o que lhes devemos em justiça,
para construir um mundo novo à tua medida:

O mundo do Espírito.

img

centro de promoÇÃO VOCACIONAL - osa
1º ENCONTRO VOCACIONAL AGOSTINIANO NACIONAL -
13, 14 E 15 DE julho DE 2018 EM sÃO PAULO (SP)

img
img
img

 

 

 

 

 

 

 

img
© OSA Brasil 2009 | 2018
.:: Todos os Direitos Reservados ::.