img

► CADASTRO VOCACIONALimg

HOMILIA
eSCRITA POR Pe. C.Madrigal, o.s.a.- ciriacomadrigal@gmail.com

DIA 10 DE NOVEMBRO DE 2019

Neste Domingo a Palavra de Deus leva-nos a refletir sobre a realidade da vida e da morte, tão próximas da nossa condição humana. Assim, encontramos o testemunho heroico de uma mãe e seus sete filhos que entregam a vida antes que renunciar à sua fé
(1ª leitura)
.
A mãe dos Macabeus é figura do povo de Israel e o número “sete” de seus filhos, a plenitude do povo de Deus, que deve manter a fé e a liberdade religiosa, dando testemunho coerente e fiel, tal como Paulo insiste (2ª leitura), pois é isto que identifica os seguidores de Jesus, na medida em que mostram por palavras e obras a presença do Senhor Ressuscitado em suas vidas e comunidades. Finalmente, pela resposta de Jesus aos saduceus (evangelho), que tratavam de ridicularizar a fé na ressurreição, podemos ter certeza da nossa futura vida em plenitude quando participarmos da ressurreição dos justos.

1ª LEITURA: 2 Macabeus 7, 1-2.9-14

1 Aconteceu também que sete irmãos foram presos junto com sua mãe. Espancando-os com relhos e chicotes, o rei pretendia obrigá-los a comer carne de porco, que era proibida. 2 Um deles, falando em nome dos outros, disse: «O que você quer perguntar ou saber de nós? Estamos prontos a morrer, antes que desobedecer às leis de nossos antepassados»........9 Antes de dar o último suspiro, ainda falou: «Você, bandido, nos tira desta vida presente, mas o rei do mundo nos fará ressuscitar para uma ressurreição eterna de vida, a nós que agora morremos pelas leis dele».10 Depois desse, também o terceiro foi levado para a tortura. Intimado, colocou imediatamente a língua para fora e apresentou corajosamente as mãos, 11 dizendo com dignidade: «De Deus eu recebi esses membros, e agora, por causa das leis dele, eu os desprezo, pois espero que ele os devolva para mim». 12 O rei e aqueles que o rodeavam ficaram admirados da coragem com que o rapaz enfrentava os sofrimentos, como se nada fossem. 13 Logo que esse morreu, começaram a torturar da mesma forma o quarto irmão. 14 Estando para morrer, ele falou: «Vale a pena morrer pela mão dos homens, quando se espera que o próprio Deus nos ressuscite. Para você, porém, não haverá ressurreição para a vida».

A leitura fala, por primeira vez da fé na ressurreição dos mortos no Antigo Testamento, («O rei do mundo nos fará ressuscitar para uma ressurreição eterna de vida»). Esta esperança dos fiéis da época na ressurreição se confirma e se torna mais explícita nos tempos difíceis da perseguição do rei Antioco IV contra os judeus observantes, obrigando-os a escolher entre a apostasia e a morte. Muitos deles preferiram morrer antes que renunciar à fé e desviar-se do culto ao Deus verdadeiro.

Os irmãos Macabeus, sustentados pela fé na vida eterna, se mantiveram firmes e insubornáveis na obediência à Lei de Moisés, cientes de que o mesmo Deus que lhes deu o corpo seria poderoso para ressuscita-lo após a morte.

A crença na ressurreição é uma das verdades que aparecerá mais tarde na Revelação, como uma verdade fundamental. Sem ela não conseguiríamos superar o fatalismo diante da realidade da morte. Sem esta fé na vida que supera a morte, a lei da sobrevivência puramente temporal e terrena justificaria tudo e se estabeleceria, em consequência, a única lei do mais forte.

Esta fé na ressurreição dos mortos, iniciada no Antigo Testamento, foi ocupando um lugar especial nas convicções religiosas até passar a fazer parte do credo da Igreja. O apóstolo Paulo fundamenta a fé da Igreja no fato da ressurreição de Jesus que nos leva a crer na nossa própria ressurreição, a celebrar a vida nova de nossos mortos e a esperar ativamente o encontro com eles no banquete eterno.


2ª LEITURA: 2Tessalonicenses 2,16 - 3,5

16 O próprio nosso Senhor Jesus Cristo e Deus nosso Pai , que nos amou e por sua graça nos dá consolo eterno e esperança feliz, 17 concedam-lhes ânimo ao coração e os fortaleçam para que façam e falem tudo o que é bom............. 1 De resto, irmãos, rezem por nós, a fim de que a palavra do Senhor se espalhe rapidamente e seja bem recebida, como acontece entre vocês. 2 Rezem também para que Deus nos livre dos homens ímpios e maus, porque nem todos têm fé. 3 O Senhor, porém, é fiel. Ele manterá vocês firmes e os guardará do Maligno. 4 Temos plena confiança no Senhor de que vocês fazem e continuarão a fazer o que mandamos. 5 Que o Senhor lhes dirija o coração para o amor a Deus e a perseverança de Cristo.

Fazer o bem é determinante na vida cristã, tanto para seguir Jesus quanto para consolidar a própria espiritualidade. Por isso Paulo diz: «O próprio nosso Senhor Jesus Cristo e Deus nosso Pai... concedam-lhes ânimo ao coração e os fortaleçam para que façam e falem tudo o que é bom». A bondade no trato com o próximo é fundamental e é algo que pode ir se desenvolvendo e espalhando de forma que «a palavra do Senhor se espalhe rapidamente e seja bem recebida, como acontece entre vocês». Tudo isto, porém, não se deve apenas ao esforço humano, mas, em primeiro lugar, é fruto do amor de Deus («Deus nosso Pai , que nos amou... os fortaleça») que está sempre ao nosso lado.


EVANGELHO: Lucas 20, 27-38

27 Os saduceus afirmam que não existe ressurreição. Alguns deles se aproximaram de Jesus, e lhe propuseram este caso: 28 «Mestre, Moisés escreveu para nós: 'Se alguém morrer, e deixar a esposa sem filhos, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva, a fim de que possam ter filhos em nome do irmão que morreu'. 29 Ora, havia sete irmãos. O primeiro casou e morreu, sem ter filhos. 30 Também o segundo 31 e o terceiro casaram-se com a viúva. E assim os sete. Todos morreram sem deixar filhos. 32 Por fim, morreu também a mulher. 33 E agora? Na ressurreição, de quem a mulher vai ser esposa? Todos os sete se casaram com ela!» 34 Jesus respondeu: «Nesta vida, os homens e as mulheres se casam, 35 mas os que Deus julgar dignos da ressurreição dos mortos e de participar da vida futura, não se casarão mais, 36 porque não podem mais morrer, pois serão como os anjos. E serão filhos de Deus, porque ressuscitaram. 37 E que os mortos ressuscitam, já Moisés indica na passagem da sarça, quando chama o Senhor de 'o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó'. 38 Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, pois todos vivem para ele.».

Os saduceus eram gente relevante na vida social do país, mais parecidos a um partido político do que a uma seita religiosa. Fazendo parte da classe alta, eram "colaboracionistas" com a ocupação romana da Palestina e, por causa disso, mal vistos pelo povo. Não admitiam mais autoridade doutrinal que os primeiros 5 livros da Bíblia, atribuídos a Moisés (o Pentateuco) e, por isso, negavam a ressurreição dos mortos, pois no Pentateuco não se diz nada a esse respeito.

Partindo da antiga lei do levirato ("levir" significa cunhado), que obrigava o cunhado a casar com a viúva para dar descendência ao irmão falecido (Deuteronômio 25, 5-10), inventaram uma história estranha, embora possível, de forma que, se existisse a ressurreição, poderia acontecer uma situação de poligamia («E agora? Na ressurreição, de quem a mulher vai ser esposa? Todos os sete se casaram com ela!») Desta forma, tentavam ridicularizar a crença na ressurreição e pôr Jesus a prova.

Jesus desmascara a malícia da pergunta e, ao mesmo tempo, demonstra a ignorância deles a respeito da Sagrada Escritura. Na Bíblia nunca se diz que a existência na ressurreição futura será igual que à desta vida terrena. A vida depois da morte não é uma continuação da vida presente. A ressurreição não um simples reviver, mas, de fato, é nascer para a vida plena que o ser humano espera, sem limitações nem amarras, a fim de viver definitivamente livres e felizes. As categorias do mundo atual e o tipo de relações que estabelecemos nesta vida, serão superadas para vivermos numa outra dimensão. É algo que ultrapassa a nossa inteligência, mas que podemos vislumbrar e desejar apoiados na fé e na esperança.

Como consequência de tudo isso, até mesmo a procriação não mais será necessária para assegurar a sobrevivência da humanidade dado que, na ressurreição, não existe mais a morte e não haverá mais necessidade da renovação da vida («Nesta vida, os homens e as mulheres se casam, mas os que Deus julgar dignos da ressurreição dos mortos e de participar da vida futura, não se casarão mais..., pois serão como os anjos. E serão filhos de Deus, porque ressuscitaram»). Que a vida dos ressuscitados seja “como os anjos”, porém, não quer dizer que as pessoas, ao ressuscitar, percam a sua identidade, diluindo-se em Deus. Só se exclui a necessidade da procriação e se afirma a superação das necessidades físicas e biológicas do ser humano na terra.
           
Assim como Jesus, ao ressuscitar, alcança sua plenitude humana, seus irmãos e irmãs que morrem, ao ressuscitar, não perdem sua identidade, continuam sendo eles/as e seu mundo de relações que os/as definem, mas de uma maneira mais plena, total, que transcende as barreiras do tempo e do espaço.

Resolvido o problema por eles apresentado, Jesus defende a crença na ressurreição fundamentando-se em Êxodo 3, 6 por ser um texto do Pentateuco, a única autoridade doutrinal que eles aceitavam, para demonstrar que falar de Deus e falar dos mortos é contraditório, pois, para Deus, ninguém está morto. Todos vivem («Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, pois todos vivem para ele»). Nós olhamos a morte como o final de tudo. Deus contempla a ressurreição após a morte como a vida plena e a continuidade do ser. Nós vemos as sombras e o cansaço. Deus vê a luz e a vitalidade. Nós enxergamos as limitações da carne. Ele, a força do Espírito.

São duas as ideias que apresenta o texto do Evangelho de Lucas a fim de compreender a realidade da ressurreição para além da nossa condição de vida atual:

A primeira é que a vida após a morte é totalmente nova e diferente, embora nesta como na outra vida, seja a mesma pessoa que vive realmente e não de forma imaginária. Quando falamos no Credo que acreditamos na ressurreição dos mortos (“Creio na ressurreição da carne”) é uma realidade pessoal e transformada que queremos indicar e não um simples voltar à mesma vida de antes. Seremos os mesmos, mas totalmente transformados e glorificados, como a semente que cai na terra, apodrece e morre, mas desta aparente morte é que brota algo totalmente diferente (a planta) que outra coisa não é do que a semente transformada e multiplicada.

A segunda é a garantia de que essa realidade pessoal é a realidade de Deus, isto é, a Vida Verdadeira sem limitações, sem mistura alguma de morte. Ele, que é a fonte da vida, do qual todas as criaturas recebem a existência, nos assumirá e incluirá no seu Ser para vivermos uma vida em plenitude por toda a eternidade.

O cristão que acredita na ressurreição confia nesta sua futura condição enquanto caminha pela vida. Seu caminhar é confiante devido à certeza de que o seu caminho tem sentido. Uma certeza que brota da sensibilidade aguçada pela fé e nasce da sintonia e da familiaridade com Deus, que é Vida Plena sem mistura de morte.

+ Só Deus pode explicar a ressurreição que, para nós, sempre é um mistério. Por isso Jesus se refere à tradição de seu povo e diz que «Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, pois todos vivem para ele». A morte não pode destruir o amor e a fidelidade de Deus para com seus filhos. Deus continua cuidando do seu povo e a certeza deste amor incondicional de Deus deve levar-nos a entender que a vida eterna começa aqui na terra e vai depender do que façamos agora, praticando a justiça e o amor pelos outros. Fortalecendo as nossas relações humanas e os valores que nos humanizam e dignificam, temos a certeza de alcançar um dia a ressurreição e a vida plena.

img

centro de promoÇÃO VOCACIONAL - osa
participem dos encontros vocacionais agostinianos

img
img
img

 

 

 

 

 

 

 

img
© OSA Brasil 2009 | 2019
.:: Todos os Direitos Reservados ::.