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HOMILIA
eSCRITA POR Pe. C.Madrigal, o.s.a.- ciriacomadrigal@gmail.com

DIA 13 DE OUTUBRO DE 2019

Neste Domingo, a liturgia continua a apresentar-nos o dom da fé, porém, com uma característica toda especial, que é a gratidão. Não basta sentir-se ligado a Deus pela fé; é preciso agradecer, saber viver em gratidão e louvar a Deus por tudo que d'Ele recebemos. A fé só está completa, quando envolvida pela gratidão.

Nas leituras de hoje, apreciamos a atitude do sírio Naamã. Não só se converte à fé no Deus de Israel, mas quer agradecer o dom da cura (1ª leitura). Uma atitude bem semelhante à do leproso curado por Jesus (evangelho): embora os outros nove continuassem o seu caminho, ele fez questão de voltar para agradecer. São Paulo, por sua vez, nos convoca à fidelidade absoluta para com Deus
(2ª leitura), pois, apesar dos nossos erros, Ele permanece sempre fiel na sua atitude de Pai. Mais um motivo para correspondermos a Ele dentro das nossas humanas possibilidades.

1ª LEITURA: 2Reis 5, 14-17

14 Então Naamã desceu e mergulhou sete vezes no rio Jordão, como o homem de Deus havia dito. Sua carne se tornou como a carne de uma criança, e ele ficou curado. 15 Então Naamã voltou com toda a sua comitiva até o homem de Deus. Entrou, parou na frente do profeta e disse: «Agora eu sei que não há outro Deus na terra, a não ser em Israel! Por favor, aceite um presente do seu servo». 16 Eliseu respondeu: «Pela vida de Javé, a quem eu sirvo: não aceitarei nenhum presente». Naamã insistiu para que ele aceitasse, mas ele recusou. 17 Então Naamã pediu: «Já que o senhor recusou, ao menos permita que seja dado a seu servo a quantidade de terra que duas mulas podem carregar, pois o seu servo não oferecerá mais holocausto e sacrifício a outros deuses, mas somente para Javé.

A leitura do Livro de Reis apresenta-nos um relato da ação benéfica do profeta Eliseu para com um leproso estrangeiro; nada menos que Naamã, o general da Síria, um inimigo de Israel.  O profeta Eliseu, querendo mostrar que para Deus nada é impossível e, mesmo tratando-se de alguém que não pertence ao seu povo e o rio Jordão nada ter de milagroso, pede que o sírio Naamã se banhe nele para ser curado da lepra pelo poder de Deus e a confiança em Eliseu.

Ao ficar curado, o próprio Naanã confessa: “Agora eu sei que não há outro Deus na terra, a não ser em Israel!” e,ainda mais, tenta agradecer de forma equivocada dando um presente para o profeta; mas este o recusa porque a cura não veio dele, mas de Deus. Naamã, então, compreende que a vida é um dom de Deus e não é objeto de troca de favores. Em sinal de gratidão, leva com ele um pouco da terra de Israel para, chegando de volta à Síria, dar culto ao verdadeiro Deus sobre ela.

Com isto fica evidente que o poder de Deus não tem fronteiras e não atende aos critérios de raça e religião para mostrar sua paternidade para com todos. O mínimo que o ser humano pode oferecer como resposta é a gratidão.


2ª LEITURA: 2Timóteo 2, 8-13

8 Lembre-se de que Jesus Cristo, descendente de Davi, ressuscitou dos mortos. Esse é o meu Evangelho, 9 e por causa do qual eu sofro, a ponto de estar acorrentado como um malfeitor. Mas a palavra de Deus não está algemada. 10 É por isso que tudo suporto por causa dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Jesus Cristo, com a glória eterna. 11 Estas palavras são certas: Se com ele morremos, com ele viveremos; 12 se com ele sofremos, com ele reinaremos. Se nós o renegamos, também ele nos renegará. 13 Se lhe formos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode renegar a si mesmo.

Paulo, no fim da vida, encontra-se preso em Roma. Mesmo assim, não se importa de “estar acorrentado como um malfeitor” pela fé que tem em Cristo e porque sabe que o seu testemunho servirá para animar seus irmãos na fé, pois “a palavra de Deus não está algemada”.

Convidando seu discípulo Timóteo a viver como testemunha da ressurreição do Senhor, lhe recorda a letra de um hino que, certamente, se cantava nas comunidades naquela época durante a celebração do Batismo (“Se com ele morremos, com ele viveremos; se com ele sofremos, com ele reinaremos. Se nós o renegamos, também ele nos renegará. Se lhe formos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode renegar a si mesmo” - versículos 11 a 13).

Isto lembra-nos da nossa comunhão com Cristo tanto no sofrimento quanto na glória e propõe uma atitude e um modo de viver que é a uma experiência das mais radicais na vida cristã. A coerência entre a vida prática e a fé recebida é garantia da nossa esperança. Em suas mãos está o nosso futuro.


EVANGELHO: Lucas 17, 11-19

11 Caminhando para Jerusalém, aconteceu que Jesus passava entre a Samaria e a Galiléia. 12 Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos foram ao encontro dele. Pararam de longe, e gritaram: 13 «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!» 14 Ao vê-los, Jesus disse: «Vão apresentar-se aos sacerdotes.» Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. 15 Ao perceber que estava curado, um deles voltou atrás dando glória a Deus em alta voz. 16 Jogou-se no chão, aos pés de Jesus, e lhe agradeceu. E este era um samaritano. 17 Então Jesus lhe perguntou: «Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? 18 Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?» 19 E disse a ele: «Levante-se e vá. Sua fé o salvou.»

Sabemos que, no tempo de Jesus, a lepra era considerada uma doença maldita, como se fosse um castigo de Deus. Não podia aproximar-se dos outros. Qualquer toque num leproso causava impureza e criava um impedimento para a pessoa poder dirigir-se a Deus. Por isso, e pelo medo a um possível  contagio, os leprosos eram condenados a viver fora da cidade. Daí que “quando estava para entrar num povoado” um grupo “de longe” (como mandava a Lei - Levítico 13,45-46) pedisse apenas que Jesus fizesse “algo” por eles (“Mestre, tem compaixão de nós!”). A resposta de Jesus não se fez esperar. Ofereceu-lhes a cura completa: a cura do corpo doente e a cura da marginalização social (mais dolorosa ainda que a doença do corpo). Não adiantava curar o corpo daquele grupo de excluídos se não fossem devolvidos ao convívio social.

Para tanto, era necessário cumprir as normas que exigiam o sacerdote verificar a cura do leproso  para serem aceitos de volta no convívio social («Vão apresentar-se aos sacerdotes.»). Eles ainda não estavam curados, mas sabiam que deviam cumprir as normas da Lei, acreditaram e, “enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados”.

De fato, é estando a caminho que a fé vai amadurecendo, na vida prática do dia a dia. Mas faltava algo muito importante. Tinha nascido a fé pela esperança de serem curados (versículos 12-13), tinha crescido pela obediência à palavra de Jesus de apresentar-se aos sacerdotes (versículos 14), mas não estava faltando agradecer o dom da cura? Só um deles “ao perceber que estava curado... voltou atrás dando glória a Deus”. Justamente este que, por ser samaritano, era um herege e, como Naamã, era considerado um estrangeiro. Dele nada de bom poderia se esperar. Mas cadê os outros nove que deveriam dar exemplo por pertencerem ao povo judeu? (“Não houve quem voltasse para dar glória a Deus?”). Faltava manifestar a fé pela gratidão!
           
O samaritano, sim, “voltou atrás dando glória a Deus... jogou-se no chão, aos pés de Jesus, e lhe agradeceu”. Com isso, ele não só recebe a cura, mas também a salvação («Levante-se e vá. Sua fé o salvou.»). Mostrando a fé do samaritano como o ponto alto da narrativa, Jesus cutuca a autossuficiência dos que se consideravam “perfeitos” e desprezavam “os outros”.

Para Lucas, o lugar que Jesus dá aos samaritanos é o mesmo que as comunidades devem reservar aos pagãos. Jesus apresenta um samaritano como modelo de gratidão. Isto devia ser muito chocante, pois para os judeus samaritano ou pagão era a mesma coisa. Para Lucas, porém, a Boa Nova de Jesus dirige-se, em primeiro lugar, às pessoas e grupos considerados indignos de recebê-la. A salvação que chega até nós em Jesus é puro dom. Não depende dos méritos de ninguém. Qualquer “samaritano” de todos os tempos, pode ser capaz de chegar à salvação, reconhecendo o dom gratuito da vida que Deus nos dá em Jesus Cristo, alegrando-se com isso e agradecendo de coração.

Nesta nossa sociedade mercantil cada vez existe menos espaço para a gratidão. (Tudo se compra ou se vende, empresta-se ou se investe, se deve ou se cobra). Até os parabéns pelo aniversário são enviados para agradar os clientes, mas ninguém existe atrás dessas palavras, ninguém envia nada, tudo está programado no computador como parte das relações comerciais. Alguns (coitados) até ficam satisfeitos, achando que foram lembrados.

O problema é que qualquer gesto de generosidade fica sob a suspeita de encobrir motivações interesseiras porque, no dizer do povo, “ninguém dá nada de graça”. Num clima como este quase não há espaço para a gratidão.

A verdade, porém, é que todo dia e a toda hora temos motivos de sobra para agradecer, entre outros, o dom da vida que Deus nos oferece. Isso não tem quem pague. A única coisa que temos a fazer é responder com o nosso agradecimento. Se esta nossa atitude for sincera, será a única resposta que podemos dar ao Senhor, reconhecendo que tudo o que somos e o que temos o devemos a Ele.

A gratidão autêntica tem que sair do coração. É isso que agrada a Deus. A queixa de Jesus (“Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão?”) foi justamente pela ingratidão dos leprosos. Nove deles obedeceram e ficaram curados, mas não voltaram para agradecer. Por causa disto, apenas conseguiram a cura da doença. O décimo voltou atrás para agradecer e, além da cura do corpo, encontrou a cura da alma, isto é, salvação («Levante-se e vá. Sua fé o salvou.»). Nunca podemos esquecer-nos de agradecer depois que tivermos saído do sufoco porque é no agradecimento que confirmamos nossa adesão ao Senhor, curamos a lepra do nosso egoísmo e amadurecemos na fé.

O grande dom de Deus é Jesus, nosso Senhor. Nunca conseguiremos dar graças o bastante pelo que Ele significa para nós. Para celebrar a sua memória realizamos cada semana a “Ação de Graças” na Missa do Domingo, o “Dia do Senhor”.

Ao longo da celebração eucarística não nos cansamos de “dar graças a Deus” (não sei se é seguindo apenas o ritual ou é mesmo de coração) porque a gratidão tem muito a ver com a fé. Ambas atitudes devem fazer parte da nossa vida de forma que nosso descanso, nossos sofrimentos, nossas amizades, nossas preocupações, nossos êxitos, tudo seja vivido numa imensa ação de graças, justamente porque cremos.

O costume do povo brasileiro de dizer “graças a Deus”, não tem por que ser apenas um costume. Se for dito de coração sincero, é maravilhoso e dá sentido à vida.

+ Precisamos descobrir os atuais “leprosos” (marginalizados) na sociedade em que vivemos, tomando consciência dos mecanismos que os levam à marginalização. Quais as “lepras” das quais podemos e devemos livrar as pessoas que encontrarmos no caminho? Que a nossa vida se transforme num compromisso constante por IN-cluir todos os EX-cluídos da nossa sociedade tornar-nos, pela fé em Jesus, pessoas livres e libertadoras.

 Deus Nosso Pai, que em Jesus
nos mostraste  a tua vontade de romper as barreiras
e abrir as fronteiras que nos separam dos “leprosos” de todos os tempos
a fim de que sejam curados e se integrem na comunidade;
dá-nos uma atitude de abertura e acolhimento como a tua
 a fim de eliminar os efeitos da marginalização
e construir uma cidade humana para todos,
filhos de Deus, irmãos e irmãs sem distinção.
 Amém.

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