img

► CADASTRO VOCACIONALimg

HOMILIA
eSCRITA POR Pe. C.Madrigal, o.s.a.- ciriacomadrigal@gmail.com

DIA 22 DE DEZEMBRO DE 2019

Neste último Domingo do Advento, a espera torna-se realidade e a promessa do Salvador encontra seu cumprimento na pessoa de Maria, a jovem serva do Senhor que se entregou para ser o meio pelo qual o Filho de Deus iria se tornar presente no mundo (1ª leitura). Maria a virgem mãe e José seu esposo partilham conosco seus sentimentos mais íntimos, suas dúvidas diante dos planos de Deus, como acontece também conosco quando ficamos confusos sem saber como resolver alguns interrogantes difíceis para a nossa fé. Maria e José se enfrentam ao mistério e o meditam em humilde silêncio, escutando em seu interior a voz de Deus (evangelho). Desta forma, fortalecem a nossa fé e nos indicam o caminho a seguir no acolhimento de Jesus e da missão que Ele nos confiou de levar a salvação a todos os homens (2ª leitura),conduzindo-os ao conhecimento da Verdade.

1ª LEITURA: Isaias 7, 10-14

10 Javé falou de novo a Acaz, dizendo: 11 «Pede para você um sinal a Javé seu Deus, nas profundezas da mansão dos mortos ou na sublimidade das alturas». 12 Acaz respondeu: «Não vou pedir! Não vou tentar a Javé!» 13 Disse-lhe Javé: «Escute, herdeiro de Davi, será que não basta a vocês cansarem a paciência dos homens? Precisam cansar também a paciência do próprio Deus? 14 Pois saibam que Javé lhes dará um sinal: A jovem concebeu e dará à luz um filho, e o chamará pelo nome de Emanuel.

Diante da ameaça dos assírios, o rei Acaz busca a salvação em estratégias humanas e mostra claramente não confiar em Deus. Isaias não concorda com isto e propõe ao rei que peça a Deus um sinal de que Ele está do lado do seu povo. Acaz não quer se arriscar e procura contornar a proposta, com falsidade, querendo mostrar-se como um homem de fé («Não vou pedir! Não vou tentar a Javé!»).

Para despertar de novo a confiança em Deus, o profeta se serve de um fato, provavelmente histórico: a gravidez de uma jovem da casa do rei («A jovem concebeu e dará à luz um filho, e o chamará pelo nome de Emanuel»). Assim como essa jovem dará a luz um primogênito, do mesmo modo Deus enviará um descendente de Davi que assumirá os destinos do povo e será a garantia da presença divina no meio dele; por isso se «chamará pelo nome de Emanuel» que significa “Deus está conosco”.

Com base nesta profecia, desenvolveu-se a idéia de que o Messias nasceria de uma jovem virgem. Toda moça em Israel sonhava com ser a mãe do Messias. Quando Mateus relata a conceição de Jesus, se faz eco desta profecia de Isaías e a cita textualmente. Desta forma, Mateus e toda a tradição cristã interpretam este sinal, dado por Isaías ao rei Acaz, como uma profecia que vai muito além daquelas circunstâncias, referindo-se ao verdadeiro “Emanuel”: Cristo, o Senhor, nascido de Maria, presença definitiva de Deus conosco e salvação para todos os povos.


2ª LEITURA: Romanos 1, 1-7

1 Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo e escolhido para anunciar o Evangelho de Deus, 2 que por Deus foi prometido através dos seus profetas nas Santas Escrituras. 3 Esse Evangelho se refere ao Filho de Deus que, como homem, foi descendente de Davi, 4 e, segundo o Espírito Santo, foi constituído Filho de Deus com poder, através da ressurreição dos mortos: Jesus Cristo nosso Senhor. 5 Através de Jesus, recebemos a graça de ser apóstolo, a fim de conduzir todos os povos pagãos à obediência da fé, para a glória do seu nome. 6 Entre eles, estão também vocês, chamados por Jesus Cristo. 7 Escrevo a todos vocês que estão em Roma e que são amados por Deus e chamados à santidade. Que a graça e a paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo estejam com vocês.

Quando Paulo escreveu esta carta, ainda não conhecia pessoalmente os cristãos de Roma por ser uma comunidade que não havia sido por ele fundada. Daí a necessidade de apresentar-se como «servo», «apóstolo» e «escolhido» para mostrar a sua pertença ao Senhor e o fato de não ser apóstolo por conta própria, mas por ter sido escolhido pelo Senhor e enviado para anunciar o Evangelho também a esta comunidade.

Para Paulo é muito importante destacar que Jesus é descendente de Davi na sua natureza humana e que Deus lhe outorgou a seu Espírito constituindo-o Messias e Senhor, ressuscitando-o dos mortos. Daí que o centro da sua pregação seja a pessoa de Jesus, Senhor do mundo e da história e a ação específica que ele, como apóstolo, deseja realizar conduzindo os pagãos «à obediência da fé», mediante uma submissão livre a Deus, de forma que vivam conforme a sua vontade, manifestada em Jesus Cristo.

É assim que ele se apresenta no inicio desta carta que será uma das mais importantes por ele escritas.


EVANGELHO: Mateus 1, 18-24

18 A origem de Jesus, o Messias, foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19 José, seu marido, era justo. Não queria denunciar Maria, e pensava em deixá-la, sem ninguém saber. 20 Enquanto José pensava nisso, o Anjo do Senhor lhe apareceu em sonho, e disse: «José, filho de Davi, não tenha medo de receber Maria como esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho, e você lhe dará o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados.» 22 Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 23 «Vejam: a virgem conceberá, e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco.» 24 Quando acordou, José fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado: levou Maria para casa.

Neste texto do seu Evangelho, Mateus dá um destaque especial a José, «marido» de Maria, apresentando-o como o personagem principal. Para transmitir-nos a origem de Jesus, apresenta Maria como estando desposada com José, embora, segundo o costume judaico, ainda não vivessem juntos porque tinham que passar por um período prévio de compromisso conjugal enquanto o esposo preparava tudo o necessário para receber a esposa na sua casa. Nesse intervalo, a moça continuava morando com seus pais. Este tempo levava consigo a obrigação de completa fidelidade de forma que qualquer falha neste sentido seria considerada adultério e, como tal, castigada conforme a lei mosaica, que era a lapidação.

Nessas circunstâncias, o Evangelho conta que Maria «ficou grávida», embora explique que foi «pela ação do Espírito Santo»; um fato incompreensível para José e inaceitável para a sociedade em que ela vivia. Mas, sendo José um homem «justo», ele escolheu «deixá-la, sem ninguém saber» por ser a opção mais suave que lhe permitia a Lei de Moisés, antes que «denunciar Maria» (Deuteronômio 24,1), para não expô-la como adúltera sob pena de ser condenada à lapidação, que era a opção mais dura da Lei de Moisés (Deuteronômio 22,12-21) pois, embora não pudesse entender o que tinha acontecido, no coração de José a misericórdia triunfou sobre o julgamento. Foi necessária, porém, a intervenção do anjo do Senhor, confirmando a maternidade dela «pela ação do Espírito Santo» e comunicando a José a missão que Deus lhe tinha reservado. Num profundo ato de fé, José assume a missão de ser o pai do filho de Maria.

De fato, ao dar nome à criança, José a estaria reconhecendo “legalmente” como filho e, portanto, descendente de Davi (por ser José da família de Davi) e ao dar-lhe o nome de Jesus estaria indicando a origem divina do Senhor (pois o nome “Jesus” significa “Deus-salva”). Desta forma, José estaria colaborando para introduzir o Salvador na história da humanidade e permitindo que o Filho de Deus fosse ao mesmo tempo, legalmente, descendente de Davi.

Porque José «era justo», aceitou o plano de Deus, mesmo sem entender, e aceitou mudar todos os seus planos de vida. Num supremo ato de fé, acolheu a criança e sua mãe, protegendo-os em todo momento, tornando-se modelo de aceitação do mistério de Deus e sendo o primeiro em receber o Salvador, entregando sua vida a serviço d'Ele.

Maria e José souberam acolher com simplicidade os planos de Deus que, em principio, não eram seus planos. Por isso são um modelo para todos nós que pensamos viver pela fé, mas que tantas vezes agimos levados por nossos próprios interesses, sem perguntar-nos se estão de acordo com a vontade de Deus.

De José aprendemos a não julgar as pessoas, a colocar-nos no lugar dos outros, a aceitar com fé o que não entendemos, a tomar decisões sábias, a saber viver um projeto de vida em casal, a dar valor à discrição, à reflexão, ao silêncio... Todo um exemplo de vida para nós.

Para José não deve ter sido fácil aceitar a explicação do anjo a respeito da gravidez de Maria («Ela concebeu pela ação do Espírito Santo»). Depois de tantos séculos, instruídos pela doutrina da Igreja, nós aceitamos e acreditamos no que os teólogos chamam de “conceição virginal de Maria”, porém, continuamos sem entender. Sem dúvida, é um mistério da fé e mistério não é para ser entendido, mas para ser aceito em comunhão com Deus e transmitido com fé.

Mesmo assim, o pensamento teológico mostra-nos que o mistério pode ser “inexplicável”, mas não é tão “incrível” como possa parecer. Sto. Agostinho vem em nossa ajuda dizendo que, antes de receber Jesus em seu ventre, Maria já o tinha recebido, pela fé, em seu coração (Cheia de fé, concebeu Cristo em sua mente antes de fazê-lo em seu seio quando respondeu: «Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lucas 1,35)).

Em certa ocasião, uma mulher, querendo elogiar Jesus, exclamou: «Feliz o ventre que te carregou, e os seios que te amamentaram.» Mas Jesus respondeu, incluindo certamente sua mãe nestas palavras: «Mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática.» (Lucas 11,27-28). Porque a santidade de Maria consistiu na sua fidelidade e união com Deus mais do que no fato fisiológico de ser a mãe do Senhor. É o mesmo que São Paulo escreve quando pede que o Pai «faça Cristo habitar no coração de vocês pela fé». (Efésios 3,17).

Em Maria, mulher de fé semelhante à de Abraão, certamente o Senhor habitou de tal modo e com tanta intensidade que só foi necessário ouvir o consentimento dela («Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lucas 1, 38)) para que o Espírito Santo transformasse esta presença espiritual de Jesus em presença física e real, preparando-a para que o Filho de Deus assumisse um corpo humano em seu ventre e se tornasse a Mãe do Salvador, pois, como disse Isabel, «para Deus nada é impossível» (Lucas 1,37).

"Maria acreditou – diz Sto. Agostinho -e nela se cumpriu o que acreditou. Acreditemos também nós, para que se cumpra em nós. Neste sentido, também nós podemos “conceber” o Salvador pela fé, em nosso interior, e dá-Lo ao mundo, pelo nosso testemunho de vida.Ela é a primeira na História da Salvação na qual se realizou a esperança que a humanidade no sentido de receber o Salvador. Deste modo ela vai à frente do Povo de Deus peregrino na história até que chegue o Dia do Senhor.

+ Não podemos deixar de apreciar, neste evangelho, a “justiça” (santidade) de José. Por ser justo ele foi capaz de não duvidar nem querer julgar Maria contra toda evidência. Conhecia a pessoa com quem tinha se desposado e não podia acreditar que tivesse feito algo de errado; por isso estava pronto a abandoná-la para salvar a vida dela. Um supremo gesto de amor, uma atitude de profundo equilíbrio emocional, um comportamento digno de um santo. Mereceu que Deus lhe enviasse o anjo para explicar-lhe o inexplicável e pedir ainda a sua colaboração para formar a família que acolhesse o Senhor e o mistério de Jesus se tornasse realidade.

img

centro de promoÇÃO VOCACIONAL - osa
participem dos encontros vocacionais agostinianos

img
img
img

 

 

 

 

 

 

 

img
© OSA Brasil 2009 | 2019
.:: Todos os Direitos Reservados ::.