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PROVOCAÇÕES > PARA INICIAR
Para iniciar o discurso, caro jovem...

A Existe, hoje, um cansaço de palavras. O mundo está cheio de palavras vazias, de discursos estéreis, de vanilóquios. Preferem-se fatos concretos, verificáveis, constatáveis. Existe, igualmente, um cansaço de pessoas-função. Referimo-nos àquelas pessoas que dizem ou agem de um determinado modo porque devem dizer ou agir exatamente como lhes é dito que devem, escondendo, assim, sua verdadeira identidade atrás de uma fachada, a de sua função ou do título que esta lhes confere. Sem isso, elas não sabem quem são. Existe, ainda, um certo tipo de catolicismo que veio acostumando as pessoas a considerarem os homens ditos ''de igreja'' (padres, frades, freiras..) como pessoas estranhas, por dizê-lo de algum modo, desencarnadas, quase como se vivessem fora da realidade.

Quem quer que sejas tu, que estás a ler-nos, se nos conheceres, mesmo se só superficialmente, verás em nós, Agostinianos, homens não perfeitos, limitados; não sempre coerentes com o que professamos, não sempre a transbordar de alegria e limpidez; às vezes cansados; às vezes mais ''funcionários do sagrado'' que profetas. É possível até mesmo que conheças, ou venhas a conhecer, algum frade desiludido, desencorajado, frustrado. Mas, então, ser frade é uma ''profissão'' como qualquer outra? Afinal, tanta gente abraça uma profissão e se desencanta com a mesma. Escolher ser frade é algo como escolher entre ser contador ou ser juiz? Em nossa sociedade, secularizada e materialista, parece que a resposta seja ''sim''; para muitos, pelo menos. Exatamente por isso, quando algum jovem decide ser frade, suscita inquietantes interrogativos: por quê? como? quem levou-o a isso? Mas, há, ainda perguntas anteriores a estas: que são os frades? que ou quem são os frades Agostinianos? que fazem? como vivem? Poderíamos responder com as duas palavras de Filipe a Natanael acerca do encontro com Jesus: ''vem e vê!'' (Jo 1,46) Mas, nesse caso, esse nosso texto não teria sentido. E tem, tanto o convite de Natanael, que te repetimos, quanto o texto; afinal, é necessário que saibas o que vais encontrar, Assim não serás ''pego de surpresa''.

Este texto e outros que encontras neste site são uma tentativa de dar uma resposta às perguntas que elencamos no parágrafo precedente; uma tentativa de explicar, por quanto possível, o que acontece no coração de alguém que, em um determinado momento de sua existência, decide-se a entreprender uma estrada que, para muitos, é incompreensível e impercorrível e, para outros, é simplesmente uma fachada institucional. Trata-se de apresentarmo-nos. E apresentar-se não é facil. Mais difícil ainda que apresentar um indivíduo é apresentar um estilo de vida, um ideal que, em um determinado momento de nossa experiência humana e cristã, cativou-nos e imergiu-nos em uma aventura que, talvez, nem mesmo nós possamos narrar com exatidão, descrever com precisão.

Queremos, porém, ser honestos contigo. Se as dificuldades da vida, a luta pela sobreviência, a banalidade da existência quotidiana e o não-senso do viver diário mataram em ti a santa fantasia, o pio desejo, o religioso sonho e, com estes, a esperança; se materializaste tudo, da inteligência ao coração, da vida ao amor, então, pára; não continues a leitura, nem faças a dos outros textos propostos. Afinal, um coração no qual não há esperança, um coração materializado, estagnado, frio e árido, não pode compreender o que estamos por dizer.

Se, por outro lado, em ti a esperança não morreu, se pensas que veneráveis ideais de vida ainda têm razão de ser, que devotos sonhos têm sentido, que vale a pena lutar por sagradas utopias, que, ainda que em algum momento te canses, é preciso buscar para encontrar e encontrar para seguir buscando, então, prossegue. Lê. Pois, só um coração vivo de esperança e animado a uma busca constante pode compreender-nos. Como já dito, não nos encontrarás perfeitos, acabados. É possível que vejas gestos dissonantes das palavras de nossa profissão religiosa e até mesmo palavras vazias. É possível que encontres frades-função, que ''são'' o que fazem.

E, no entanto, apesar de nossas limitações, podes individuar em nós a força escondida que nos faz percorrer uma via que para muitos parece impercorrível. Esta força é a esperança. A mesma esperança que pulsa em ti, que te impulsiona a não descansar, que te move a buscar ser mais. Ela também pulsa em nós, também nos impulsiona a não nos conformarmos com nossas limitações, a buscar incessantemente ir além. Portanto, se não nos encontrarás perfeitos, é certo que nos encontrarás buscando ser o que somos, ser o que professamos, tensos entre o ideal e a realidade, sem menosprezar esta, tendendo àquele. Não de qualquer modo, mas, bem concretamente, na realidade de nossas vidas, que não são tão estranhas, verás, se te aproximares de nós. Tua presença entre nós pode fazer toda diferença, pois podes juntar-te a nós em nossa busca e, com o peso de tua esperança viva, fazer-nos pender mais para o ideal, aproximar-nos mais dele e tranformá-lo em realidade.

 

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centro de promoÇÃO VOCACIONAL - osa
ENCONTRO VOCACIONAL AGOSTINIANO REGIONAL - 10 e 11 DE MARÇO EM SÃO JOSÉ
DO RIO PRETO (SP)

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